21 janeiro 2010

O Chile e o Brasil

Com a vitória da direita no Chile, os petistas começam a demonstrar preocupação com o resultado das eleições deste ano. Até ontem, ninguém duvidava que Lula iria transferir a sua popularidade para a virtual candidata do PT, Dilma Rousseff. No entanto, a vitória de Sebastian Piñera sobre Eduardo Frei, candidato de Michele Bachelet, tirou o grito de "já ganhou" da boca dos petistas. Michele Bachelet tem um índice de aprovação popular na casa dos 80% e sob muitos aspéctos, se parece com o nosso presidente. Com um índice de popularidade tão grande, era de se esperar que ela elegesse até um poste para o cargo de presidente do Chile. Apesar disso, a coalização de direita venceu (pela primeira vez desde a redemocratização do país). Como isso foi acontecer? Ora, existem inúmeras razões para o fracasso da esquerda chilena e uma delas é, sem dúvida, a queda na qualidade de vida.

Mary O'Grady, do Wall Street Journal, em um artigo de 20 de dezembro de 2009 (cuja tradução pode ser lida no site Ordem Livre), mostra que as reformas econômicas promovidas no país por Augusto Pinochet, foram tão bem sucedidas que seus primeiros sucessores optaram por não desfazê-las, de modo que o Chile se tornou uma espécie de garoto propaganda do liberalismo na América Latina. Infelizmente, a esquerda chilena não permaneceu muito tempo nesse caminho e a partir do governo socialista de Ricardo Lagos, antecessor de Michele Bachelet, a economia começou a mudar de rumo. Lagos atacou a flexibilidade de mercado em favor dos sindicatos, fazendo com que o Chile caisse 14 posições no ranking do Banco Mundial que mede o ambiente tributário e regulatório para os negócios. Além disso, o Chile caiu cinco posições em "empregar trabalhadores", e três em "pagar tributos". No quesito "fechar um negócio", permaneceu estável, em 114º no mundo. No ranking geral, o país caiu nove posições. Naturalmente, isso refletiu na sua produtividade. Durante o mandato de Lagos (então de seis anos), a produtividade cresceu míseros 0,12%, causando insatisfaçãos em diversos setores da sociedade. As coisas pioraram ainda mais sob o governo de Michele Bachelet. Em 2008, a produtividade caiu 2,4%. Em 2009, a previsão é de que caia mais 2,7%, o que levará a queda em seu mandato de quatro anos para -1,57%.

Esses números são sinais claros do desvio rumo ao intervencionismo socialista e mostram porquê Piñera chegou ao poder. Está claro que os chilenos não estão dispostos a entregar as suas conquistas econômicas ao comando discricionário de uma Concertación, em que os democratas-cristãos estão se inclinando cada vez mais para o populismo de esquerda. Na mentalidade dos cidadãos daquele país, a economia de mercado é superior ao arranjo estatal e isso fica ainda mais claro quando analisamos os números citados por O'Grady: "em uma pesquisa conduzida em agosto de 2009 pela Pontifícia Universidade Católica e pela empresa de pesquisas de opinião Adimark, 73% dos entrevistados afirmaram que a iniciativa pessoal e o trabalho duro são o caminho para sair da pobreza. Somente 26% afirmaram que o estado é responsável". Resumindo, é baixo o índice de PILAS* no Chile.

Com medo que o mesmo venha a se repetir no Brasil, os esbirros da imprensa de esquerda já começaram a dizer que os dois cenários são muito diferentes e que não é possível fazer qualquer comparação entre ambos. De fato, o liberalismo está para o Brasil como Plutão está para o Sol, mas essa não é a questão. Ninguém em sã consciência irá negar que Dilma é o nosso Eduardo Frei o que faz do Lula a nossa Michele Bachelet. Tanto lá quanto aqui, a situação acreditava que seria fácil transferir a sua popularidade para o candidato do governo. Erraram, e feio! Lula não foi capaz de transferir a sua popularidade nem mesmo para o próprio filme, que apesar de todo o auxílio estatal, continua atrás de produções como Alvim e os Esquilos 2 e O Mistério de Feiurinha. Se o presidente não consegue vender nem a Glória Pires no papel de Dona Lindu, como vai vender a Dilma como presidente do país?

* Perfeitos Idiotas Latino-ameircanos

Um comentário:

tuta disse...

Chávez declarou seu apoio total à candidatura de Dilma. Se a eleição do Chile assusta, que dirá um "apoio" (encosto) desses...

"- Tinha que ser o Chaves de novo!
- Mas foi sem querer querendo..."

P.S.: Imprescindível dizer que adoro você. Esse texto está ótimo!