05 fevereiro 2010

Quem é Arres Esoj?

Acabo de me deparar com algo absolutamente incrível! Os leitores conhecem Arres Esoj? Não! Bem, vou dar uma forcinha: Esoj é aquele político famoso, do partido cuja sigla é BDSP. E agora? Ainda não abem quem é? Pois bem: Arres Esoj, o desconhecido, é o homem que vence Dilma Rousseff – a ex-terrorista batizada por Lula como "mãe do PAC" – em todos os cenários eleitorais pesquisados pelo instituto Vox Populi, aquele mesmo instituto que considera a voz do apedeuta como a vox dei… Dêem uma olhada nessa imagem (sugiro que apliem-na para visualizar melhor):



Trata-se de um cartão do instituto Vox Populi. Esse cartão foi apresentado a nada mais nada menos que dois mil pessoas. O pesquisador perguntou a cada uma delas em qual candidato iriam votar e advinhem só... Dilma, aquela senhora com cara de madrasta má e jeito de madrasta má, subiu 9 pontos na pesquisa. Não terá sido porque ninguém nesse país conhece ou ouviu falar do tal Arres Esoj? Claro, além de rasurar o nome de um dos candidatos a corrida presidencial, o instituto ainda manipulou o sorteio aleatório que iria definir os locais da apuração.

Certa vez Diogo Mainardi, considerado por certos "pogreçistas" como um porco direitista, disse que toda trapaça política requer um petista escondido. Eu concordo em gênero, número e grau com Mainardi e me pergunto onde estará o interesse petista? O que levou o Vox Populi a substituir o nome de José Serra, candidado do PSDB à Presidência, pelo de Arres Esoj?

Parece que o autoproclamado criador do Brasil – aquele que fez todas as coisas boas que vemos diante dos olhos – não podia mais suportar a estagnação vexatória da sua candidata à Presidência. Para Lula, pouco importa se Dilma não tem carisma, não tem simpatia e não tem voto. Ele também não dá a mínima se ela já sequestrou ou assaltou bancos em nome da tal revolução. Na cabeça monocromática do nosso presidente tudo funciona de um jeito bem mais simples: "Eu quero que o povo a queira. Eu sou o povo. Logo, não me aborreçam e votem nela!"

Deve ter sido algo assim que Lula disse à turma do Vox Populi, antes de mandá-los às ruas em busca da "opinião popular”. Faltava apenas decidir de que forma se daria a distorção, e os néscios escolheram o jeito mais fácil: sumir com o nome de José Serra da lista de candidatos, colocando no lugar um nome novo: Arres Esoj. E eis que, como num passe de mágica, a ex-terrorista cresceu. Cresceu, não. Deslanchou! A ponto de vermos aquilo que os esquerdistas chamam de mídia, tratando Serra como derrotado. Aliás, não deixa de ser interessante notar que a tal "grande mídia golpista, conservadora, tucana e preconceituosa", o PiG do Paulo Henrique Amorim, consegue cobrir toda a campanha eleitoral antecipada do PT, sem dizer que se trata de… campanha eleitoral antecipada! Isso ao mesmo tempo em que culpa Serra e Kassab pelo dilúvio que se abateu sobre o estado de São Paulo.

A essa altura, vocês devem estar se perguntando quando a maracutaia foi descoberta? Ah, bastou colocar em prática a tática petista de ação – que eu chamo de "precedente democratico versus Lula": ninguém viu nada, ninguém sabe de nada. O nome de José Serra, o favorito, foi apresentado aos eleitores ao contrário, escrito de forma flagrantemente incorreta? Sim, foi. Mas tudo não passou de uma falha do "sistema". Não foi de propósito…

O mais surreal, porém, é ver como a política brasileira reagiu ao ocorrido: os petistas comemoraram; a imprensa – supostamente tucana! – saudou a "arrancada" de Dilma e anunciou a "estagnação" de Serra. Até a oposição começou a contestar José Serra pelo ocorrido! Mais que isso: surgiram vozes – inclusive dentro do PSDB! – pedindo que o Governador de São Paulo saísse da disputa, abrindo caminho para Aécio Neves. Não deixa de ser surpreendente notar a facilidade com que os tucanos enveredam pelo caminho errado. Dê duas escolhas a alguém do PSDB e pronto: ele fará a errada. Vide as eleições de 2006. Naquele ano, Serra era o único a vencer Lula em qualquer dos cenários. O que aconteceu? Bem, os tucanos optaram pelo candidato que tinha a metade dos votos. As previsões iniciais garantiam que Alckimin sofrerir uma derrota vergonhosa, mas o PSDB preferiu ignorá-las e eis que no final ele terminou… derrotado!

Hoje, quatro anos depois, o PSDB cuida de fazer o mesmo trabalho porco, negando ao Brasil a possibilidade de apear o PT do poder. É como se os tucanos dissessem ao povo: "As pesquisas mostram que vocês querem nos eleger, mas e daí? Nós não queremos ganhar". Naturalmente, aquela turma "pogreçista" que me chama de tucano vai subir pelas paredes e dizer: "tá vendo, sabia que mais cedo ou mais tarde você ia defender o Serra". Essa gente ignora que eu jamais poderia ser do PSDB, porque defendo uma oposição que faça… OPOSIÇÃO! Essa patacoada de "pós-Lula", "construtivismo", "união nacional" e etc, não me pega. O objetivo principal de qualquer oposição respeitável deve ser destronar a situação. É assim que as democracias ocidentais se ergueram triunfantes. Isso tudo sem mencionar que os tucanos são muito de esquerda para o meu gosto…

Pois bem, temos uma realidade tão sui generis, que nem percebemos o óbvio: José Serra continua à frente de Dilma! E mais: no cenário mais provável – sem Ciro Gomes – ele vence no primeiro turno! Não há motivo de júbilo para o petismo, nem para a mídia aparelhada por ele. José Serra, mesmo apresentado como Arres Esoj, destroça a ex-terrorista nas urnas. A situação da tal "mãe do PAC" é vexatória! A mulher perde para um desconhecido! Perde para um borrão! Perde para uma distorção orquestrada por ela mesma!

A última pesquisa realizada pelo Vox Populi nos permite tirar apenas uma conclusão: a sociedade decididamente não quer votar em Dilma. Resta saber se o PSDB dará ao País a chance de se livrar do PT. O Brasil já mostrou que quer. Será que a oposição quer? Tenho cá minhas dúvidas. Custo a acreditar que eles deixarão de lado sua síndrome de derrotados e aceitarão a responsabilidade da vitória que o país quer lhes entregar de bandeja. Minha última esperança é que, em caso de sabotagem das oposições a José Serra, esse tal Arres Esoj surja triunfante, tal qual Dom Sebastião, e tome para si a vitória. Afinal, o povo já mostrou que vota até mesmo nele. Desde que seja para não ser governado por uma ex-terrorista.

Ah... O Diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, admitiu que é verdadeiro o documento do Instituto, que reproduzi acima. Contudo, afirmou que este erro apenas se deu no arquivo que foi transmitido ao TSE, não tendo sido o modelo utilizado para a folha que foi utilizada nas ruas pelos pesquisadores. Na pesquisa de verdade, o nome de Serra estaria correto segundo Coimbra.

Ele fingi que é verdade e nós, bobos da corte, fingimos que acreditamos!

04 fevereiro 2010

Uma Venezuela decadente

A Venezuela, hoje, está funcionando assim como uma bolha, prestes a estourar. Há meses que a popularidade de Chávez vem despencando e o seu desespero já transborda além das fronteiras do país. A pressão cubana pelo golpe final se intensifica e, como não consegue agir com a rapidez que lhe é exigida, Chávez dispara para todos os lados e joga a culpa nos estudantes, na "oligarquia", no presidente Uribe e nos "yanques". Com o fechamento do que restava da RCTV, os estudantes voltaram às ruas para protestar pacificamente, como sempre fizeram, e foram recebidos com mais violência ainda. Agora existe uma "arma" que mais se assemelha a um instrumento de tortura medieval, conforme pode-se ver na foto, do mesmo modo que a desproporção de ataques de três policiais contra UM único estudante.

estudiante-acorralado-maracayMas os defensores dos direitos humanos não vêem isso ou, se calhar, não acham que haja qualquer desrespeito, afinal, se é contra um "anti-revolucionário" da ditadura do camarada bolivariano, vale tudo.

E as renúncias vêm seguindo-se umas às outras como um castelo de cartas ruindo. Apesar da lealdade ao bolivarianismo chavista e de continuarem sendo tão comunistas quanto antes, essas renúncias obedecem a uma revolta em não quererem se sujeitar ao domínio cubano. Há já muitos anos que os agentes cubanos ocupam postos de comando no Estado venezuelano, usurpando o legítimo direito dos cidadãos daquele país. A primeira invasão se deu em 2002, quando para destruir a greve geral da PDVSA (com o apoio do recém-eleito Lula, que enviou um navio com gasolina para o "cumpanhêro"), o ditador Chávez demitiu 22.000 funcionários especializados e os substituiu pelos cubanos que não entendem NADA de petróleo, o que está acabando com a estatal petroleira; introduziu as malfazejas "missões", com um contingente de mais de 20.000 agentes cubanos disfarçados de médicos, professores e técnicos desportivos; colocou como dirigentes de todas as Notarias (cartórios de registros civil e de imóveis) do país mais agentes cubanos, além de sua guarda pessoal - quase 100 escoltas, como seu mentor Fidel - e da infiltração nas Forças Armadas. Lembro-me do caso dos soldados incendiados por um lança-chamas, feito por um oficial cubano que em seguida foi mandado de volta à Cuba para abafar o caso. Na ocasião, apenas o Notalatina teve a coragem e a decência de fazer a denuncia.

Os cubanos ainda dominam as telecomunicações, o serviço de Inteligência, a internet, e a aduana do aeroporto de Caracas. É pouco? Pois bem, no dia 25 de janeiro houve uma reunião no Fuerte Tiuna, sede do Ministério da Defesa e onde também encontra-se o escritório dos comandantes das FARC, quando Chávez resolveu comunicar que iria dar nacionalidade venezuelana a quatro coronéis cubanos, promovê-los a generais de brigada e nomeá-los como chefes de unidades de elite do Exército venezuelano. Ramón Carrizales, o Ministro da Defesa não gostou e resolveu se rebelar informando aos aos comandantes das Forças os planos de Chávez. Estes por sua vez não admitiram de modo algum, gerando um clima ainda mais tenso que culminou com a renúncia de Carrizales. Seguiram a ele sua esposa, Yubirí Ortegay, Ministra do Ambiente, o presidente do Banco Central da Venezuela, Eugenio Vázquez, Jesse Chacón, Ministro da Ciência e Tecnologia (este por causa do envolvimento de seu irmão em escândalos bancários) e, finalmente, o ministro da Energia Elétrica, Angel Rodríguez. Todos alegaram "motivos pessoais" com exceção de Rodríguez, que não conseguiu resolver o problema dos cortes de energia e falta de água que estão à beira de colapsar. Não é estranho que tantos homens fortes do governo chavista tenham renuciado ao mesmo tempo e sem apresentar qualquer justificativa plausível? Que "motivos pessoais" serão esses?

Nos dias seguintes, 26 e 27, Chávez se reuniu com os Altos Comandos militares venezuelanos para tentar resolver a crise que se instalou no seio do seu governo. Além das renuncias, a crise foi provocada por uma série de exigências por parte da Chefatura da Missão Militar cubana na Venezuela. Segundo um informe dado pelo próprio Chávez na rede de TV estatal Telesur, Havana quer impor a Caracas uma agenda bem estruturada de medidas destinadas a "garantir e assegurar a estabilidade e permanência do regime bolivariano no poder". Está claro que os cubanos não confiam na lealdade dos altos comandos venezuelanos e farão de tudo para evitar que Chávez sofra com o clichê que comentei em um post anterior.

Segundo a advogada Rocío San Miguel, especialista em temas militares, "o novo Ministro da Defesa, que foi premiado com o cargo por haver permitido nos quartéis a palavra de ordem "Pátria, Socialismo ou Morte", está determinado a consolidar a Milícia Nacional Bolivariana, converter as FAN no braço armado da revolução e unificar a FAN remodelando seus componentes". Em menos de um ano foram criados 150.000 "milicianos operários" nas empresas públicas, além de 20.000 patrulhas socialistas integradas por 15 trabalhadores cada, o que daria um "exército" de 300.000 chavistas armados. A intenção de Chávez é criar uma Força Multinacional da ALBA, como já estão tentando criar no MERCOSUL, conformada pelos oficiais de Cuba, Nicarágua, Bolívia e Venezuela.

No programa de domingo passado, "Alô, Presidente", Chávez foi claríssimo em suas ameaças quando disse: "Hoje é impossível um golpe de direita na Venezuela, agora, uma rebelião de esquerda, que aprofunde as mudanças, é possível e eu poderia comandá-la, se me obrigam eu a comandaria. Não quero que siga no ritmo que estamos vindo".

Por essas e outras o povo venezuelano resolveu ir as ruas. Eles estão cansados de tantas bravatas e não suportam mais os arroubos totalitários de Hugo Chávez. Antes havia apenas o problema do abastecimento, mas desde o princípio do ano passado as coisas vêm piorando com uma insegurança desmedida. A criminalidade corre solta e impune e as reservas de comida e água só dão para abastecer o país até abril, tudo por conta da má administração, da alta de manutenção e dos desvio das verbas provenientes da extração petróleo. O que Chávez tem feito com esse dinheiro? Ora, além de dar uma polpuda mezada à Cuba, o presidente venezuelano ainda tem financiado ditaduras e comprado armas para as FARC.

Segundo dados de Capital Market Finance, a PDVSA (estatal venezuelana do petroleo) começou seu endividamento em abril de 2007; em outubro de 2009 já estava em US$ 3 bilhões e para tentar saldar essa dívida começou a emitir bônus. De abril de 2004 até o final de 2009, a dívida financeira da PDVSA alcançou a cifra de 476%. É admissível isso, quando a partir da gestão chavista o preço do barril de petróleo chegou a marcar US$ 140 e arrecadou nos 11 anos de Chávez no poder, nada menos que US$ 448.179 bilhões!

Por todas estas razões, o povo está se movimentando para pedir a renúncia de Chávez e conformou-se o Polo Constitucional, agrupamento que reúne todos os descontentes, baseados nos Artigos 333 e 350 da Constituição. Este agrupamento não é um partido político e reúne gente de todas as profissões (inclusive militares), donas de casa, empresários, trabalhadores de todas as áreas, sindicatos, agremiações estudantis. No áudio "Por que exigir a renúncia de Chávez?" Alejandro Peña Esclusa explica o que motivou pessoas tão distintas a se unirem em prol de um único objetivo: exigir a renúncia de Chávez, pois esperar pelas eleições de 2012 será suicídio, será a destruição total do país. O problema é que Chávez não vai renunciar, o que pode deflagrar um conflito civil. Tomara que alguns país decente intervenha antes que isso aconteça!

Que descontão!

Lula, o homem do ano de Sarkozy, fechou a operação. Ou melhor: oficializou. Bateu o martelo com a Dassault e vai mesmo comprar os Rafales, os caças franceses. O que se sabia, até então, é que o troço todo custaria algo em torno de R$ 10 bilhões. Errado! Eram R$ 15,1 bilhões! Generosos, os vendedores da pátria de Tartufo deixaram os 36 aparelhos por apenas R$ 11,4 bilhões (US$ 6,2 bilhões). Com o desconto, ficou R$ 1,4 bilhão mais caro do que se anunciava. É uma conta bem petista quando se trata de dinheiro público: aumenta quanto subtrai.

Na lista dos três aviões analisados pela Aeronáutica, o Rafale ficou em terceiro, perdendo para o americano F-18 e para o Gripen sueco. E daí? O que a Aeronáutica entende do assunto? O pacote dos suecos custava US$ 4,5 bilhões, e o dos americanos, US$ 5,7 bilhões. O de Sarkozy saiu por US$ 6,2 bilhões — e olhem que a pedida inicial era US$ 8,2 bilhões. Lula vai dizer que economizou US$ 2 bilhões.

O que ninguém entendeu até hoje é a necessidade de humilhar a Aeronáutica. Se a opinião da Força era irrelevante, por que ouvi-la? Para fazer o contrário? Para transformar o terceiro em primeiro? Como dizem alguns idiotas acometidos do Mal de Marxheimer (preciso explicar o que é essa doença), "militar não tem de se meter nessas coisas. porque a ditadura já acabou". Agora estamos na monarquia absolutista.

03 fevereiro 2010

Paulo Renato e meia dúzia de verdades

Qual é o valor da verdade? Os cínicos responderiam: "Depende". Para esses gigantes da ética, a verdade tem um valor meramente utilitário. Se ela for "inútil" para seus propósitos, a mentira é bem-vinda. Transformar a mentira em verdade tem sido a essência de sua atuação pública e o emblema dessa postura é a frase: "Nunca antes na história deste país". Essa frase é , provavelmente, a mentira mais bem-urdidas dos últimos anos, pois ela sustenta, entre outras coisas, que o governo Lula fez mais pelo ensino público do que qualquer outro na história desse país. Os petistas ainda vão além em sua mentira e sustentam que os tucanos "não dão bola para a educação".

No Estadão de ontem, Paulo Renato Souza, atual secretário da Educação de São Paulo e ex-ministro da área, desmonta a falsidade de modo meticuloso. Acreditar no que ele diz? Bem, os números com os quais ele lida são do MEC, aqueles admitidos como verdadeiros pelo próprio governo. O artigo é longo, mas recomendo sua leitura na íntegra.

* * *

Falar a verdade, não falsear informações não é uma qualidade. É obrigação. Vale para a nossa vida pessoal e mais ainda para a vida pública. Mentir não pode ser considerado uma simples esperteza, um pequeno truque, uma “tática” para ganhar uma discussão. Ou uma eleição.

Recentemente, usando um ato administrativo como palanque eleitoral, a candidata a presidente Dilma Rousseff afirmou que os tucanos não dão importância ao ensino técnico profissionalizante. Em contraste, citou as intenções do atual governo de criar novas escolas técnicas. Omitiu e falseou dados. Mentiu.

Basta analisar os números sobre a expansão do ensino técnico federal, desde o início do governo Lula, e compará-los com o desempenho de apenas um Estado da Federação, no mesmo período. Segundo as informações do Ministério da Educação, em 2003 o número de alunos matriculados nas escolas técnicas federais era levemente superior ao da rede de escolas técnicas de São Paulo: 79 mil no Brasil inteiro e 78 mil nas escolas técnicas estaduais paulistas. Seis anos depois, em 2009, o Estado de São Paulo registrava 123 mil alunos nas suas escolas técnicas, ante apenas 87 mil nas escolas federais. Assim, entre 2003 e 2009, a expansão das matrículas no governo federal foi de apenas 9%. Nesse mesmo período, o ensino técnico público paulista cresceu 58%, sob o comando de dois governadores do PSDB - Geraldo Alckmin e José Serra.

Uma vilania repetida desde a campanha eleitoral de 2006 afirma que o governo Fernando Henrique Cardoso teria proibido por lei a expansão do ensino técnico federal no País. Como ministro da Educação que cuidou desse programa, posso afirmar: mentira pura. A Lei 9.649, citada como “prova” pelos mentirosos, dizia que novas escolas técnicas deveriam ser criadas pela União sempre em parceria com os Estados, o setor produtivo ou entidades não-governamentais.

Essas parcerias tinham duas vantagens. Primeiro, garantir uma vinculação maior e mais ágil entre as escolas técnicas e o dinamismo dos mercados de trabalho locais, onde os empregos são efetivamente gerados. Segundo, era evidente que, em geral, nossas escolas técnicas federais ofereciam um bom curso de nível médio, que preparava,

gratuitamente, os filhos da classe média alta para ingressar na universidade, mas não atendiam nem aos filhos das famílias mais pobres nem às necessidades de formar técnicos de nível médio para o mercado de trabalho. Por incrível que pareça, o modelo tradicional favorecia os filhos dos ricos e prejudicava os filhos dos pobres.

Criamos o Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep) e obtivemos financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além de criar novas escolas técnicas estaduais e comunitárias, canalizamos investimentos para modernizar as escolas técnicas federais existentes, com equipamentos e laboratórios. Em razão desses investimentos as matrículas nas escolas federais cresceram 41% apenas nos dois últimos anos do governo FHC, marca quase cinco vezes maior do que a alcançada em seis anos de governo Lula. É preciso esclarecer de uma vez por todas que expandir o ensino não exige sempre criar novas instituições. Muitas vezes, basta aumentar a capacidade das existentes.

Por si sós, esses fatos e números reiteram a falta de compromisso da candidata oficial com a verdade.

Na mesma linha, em recente debate radiofônico, o presidente nacional do PT acusou o governo anterior de "privatizar" o ensino técnico. Nada mais falso. Entre 1998 e 2002, aprovamos 336 projetos de escolas técnicas, sendo 136 para o segmento estadual, 135 para o comunitário e 65 para as escolas técnicas federais. Ou seja, 60% dos projetos financiados pelo Proep se destinavam à criação ou modernização de escolas técnicas públicas, federais ou estaduais. O ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, do PT, pode lembrar os inúmeros projetos de escolas técnicas estaduais que financiamos e inauguramos juntos durante seu mandato.

Os projetos do segmento comunitário visavam à criação, com o apoio financeiro da União, de escolas administradas por entidades sem nenhuma finalidade de lucro, tais como centrais sindicais - a CUT entre elas -, sindicatos patronais e de trabalhadores, fundações municipais e entidades eminentemente filantrópicas e culturais, como o Projeto Pracatum, na Bahia. Nada disso, portanto, pode ser associado à fantasia de "privatizar" o ensino técnico.

A partir de janeiro de 2003, primeiro mês do governo Lula, o Proep foi bruscamente interrompido. O presidente nem deve ter sabido disso na época. Obras ficaram inacabadas e muitos projetos nem sequer foram iniciados. Em 2004 o Ministério da Educação devolveu ao BID US$ 94 milhões, não utilizados!

Como seria difícil explicar, na campanha eleitoral de 2006, por que havia parado o programa de expansão do ensino técnico, o governo federal retomou os 32 projetos do Proep (de um total de 232 interrompidos). Num passe de mágica, promoveu sua "federalização", criando "novas" escolas federais ou “novas” unidades nas existentes. Embrulho novo em presente antigo. Isso foi tudo o que o Ministério da Educação fez pelo ensino técnico em seus quatro primeiros anos de gestão, fato que a ministra Dilma, na hipótese mais benigna, parece ignorar.

Agora, em fim de governo, busca-se recuperar o tempo perdido lançando projetos a toque de caixa, no velho modelo de escolas técnicas que ofereciam ensino médio para os ricos e muito pouco ensino técnico para os pobres. Não é o melhor que o País poderia ter, mas, ainda assim, é melhor do que nada.

Quem muito fala dos outros é porque tem pouco a falar de si. Mas quem deseja o respeito da população e pretende submeter-se ao julgamento das urnas tem o dever de pelo menos começar a falar a verdade sobre os outros e sobre si mesma.

É só mais um clichê

Nas últimas semanas, alguns analistas políticos como Mary Anastacia O'Grady e Alejandro Pena Esclusa, tem dado especial atenção aos pedidos de renuncia de Hugo Chávez. Analisando os seus textos, chegamos a conclusão que os tiranos, com raras exceções, também são vítimas de um clichê: começam a ser destruídos por seus próprios aliados. Enquanto as circunstâncias conspiram a favor de seus superpoderes, são tratados como deuses. Seus adoradores, no entanto, conhecem os pés de barro dos ídolos. Eles se associam aos tiranos em defesa dos seus próprios interesses.

O problema é quando o maluco realmente acredita ser Deus e começa a tomar atitudes destrambelhadas até segundo os critérios já bastante lassos de sua turma. Acontece sempre. Tiranos são necessariamente paranóicos e têm uma mentalidade essencialmente conspiratória. E, como Saturno naquele famoso quadro de Goya, engolem os próprios filhos. Como na mitologia, chega a hora da revolta.

Com Chávez, não foi diferente. Na semana passada, um grupo de ex-aliados do caudilho venezuelano pediu a sua renúncia em carta aberta. Segundo seus signatários, eles querem "evitar maiores males e desgraças ao país". Integram o grupo, intitulado Pólo Constitucional, Raúl Isaías Baduel, ex-ministro da Defesa; Luis Alfonso Dávila, ex-ministro de Relações Exteriores; Herman Escarrá, um dos redatores da atual Constituição, e até dois comandantes militares que tentaram, em companhia de Chávez, dar um golpe de estado em 1992: Yoel Acosta e Jesús Urdaneta.

O documento aponta as dificuldades que o país vem passando — falta de água, de energia, insegurança pública — e aponta a "escandalosa corrupção" como causa de todos os males. Dêem uma olhada nesse trecho:

"Todos os seus argumentos para chegar ao poder hoje o ilegitimam. O povo sofre com a insegurança, com menos liberdade e menos segurança jurídica e social; aprofunda-se a pobreza de nossa gente. Os serviços públicos — água, eletricidade e serviços urbanos — são um caos. A improdutividade conduz à escassez de alimentos; as obras de infra-estrutura do país estão deterioradas por falta de manutenção; a economia vive uma de suas crises mais profundas, apesar da abundância de petróleo (…). A corrupção, que constitui o estigma moral de um governo e foi bandeira de sua proposta política, causa hoje o enriquecimento ilícito mais obsceno que o país jamais presenciou. Funcionários, familiares e personagens conhecidas como 'os boliburgueses' [burgueses bolivarianos] saquearam governos, ministérios, prefeituras e empresas estatais".

Nem a oposição conseguiu ser tão dura com o bandido.

Sabem o que isso significa? Que Chávez está mais perto ainda do seu destino. Em breve, o Bolívar do século XXI será pendurado pelos tornozelos em praça pública; se não sair correndo, é claro. Seus antigos aliados querem deixar claro o seu descontentamente com o governo para vir a compor, no futuro, um governo anti-Chávez. Eles sabem que a atual oposição vai considerar essa aliança importante para derrotar o tirano. Tudo indica que o processo de deposição do ditador venezuelano está avançando mais depressa do que se imaginava.