24 fevereiro 2010

Um presidente cuja moral e senso de justiça fariam inveja a Klaus Barbie

Lula viajou a Cuba para dar o seu último endosso ao regime de Fidel. Desde que assumiu o país, o presidente já esteve na ilha 4 vezes e em nenhuma delas reservou um espaço na sua agênda para ouvir as queixas dos dissidentes políticos. Dessa vez será diferente! Lula chegará a ilha praticamente no dia da morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, que estava em greve de fome desde 3 de dezembro. Para repetir a postura das visitas anteriores, o presidente terá que ignorar o cheiro fresco do último cadáver gerado pela ditadura dos irmãos Castro.

No ano passado, a Anistia Internacional conseguiu comprovar a existência de 67 prisioneiros de consciência em Cuba — isto é, gente que está na cadeia só por discordar do regime. Para se ter uma ideia do que esse número representa: é praticamente o mesmo número de presos mantidos em Guantanamo.

Tamoyo era um desses presos de consciência. Ele foi detido em março de 2003, durante a chamada Primavera Negra, quando Fidel Castro ordenou a prisão de 75 dissidentes — 27 jornalistas entre eles. As condenações variavam de 14 a 27 anos, masTamayo foi tendo a sua pena ampliada consecutivamente.

Seu crime? Nenhum! Tamoyo foi preso à revelia, como acontece com frequência nas ditaduras. Em outubro de 2009, ele foi espancado por policiais na prisão de Holguín e teve de se submeter a uma cirurgia na cabeça em decorrência dos ferimentos. No dia 3 de dezembro, deu início à greve de fome e foi transferido para uma prisão ainda mais rigorosa.

Os dissidentes cubanos afirmam que o major Filiberto Hernández Luis lhe negou mesmo a água durante dias seguidos, o que levou seus rins ao colapso. Só foi enviado ao hospital em meados de janeiro, e dali para outro hospital, só que este no presídio Combinado del Este, em Havana, sem a menor condição técnica de tratamento. Morreu. Não! Foi assassinado, assim como Vladimir Herzog e outros dissidentes políticos brasileiros que encontraram o seu fim nos porões do DOPS. Lamentavelmente, a solidariedade brasileira é seletiva e extramente segregacionista. Nossos militantes pranteam a perda de cerca de 300 pessoas durante o período da ditadura, mas não derramam uma lágrima pelas milhares de vítimas do regime castrista.

Ao longo desses oito anos de mandato do presidente Lula e do PT, dissidentes cubanos chegaram a enviar mensagens milhares de mensagens pedindo que intercedesse em favor de presos políticos como Tamoyo. Tudo em vão! No Congresso do PT, Dilma Rousseff fez uma conferencia fechada a esquerdistas de varias ditaduras — cubanos entre eles - mas não mencionou uma só palavra relacionada a esses pedidos. No mesmo congresso, a ministra fez uma homenagem a pessoas que, a exemplo dela, participaram de movimentos terroristas no Brasil e disse que lutavam pela… Democracia!

Tamayo, sim, lutava pela democracia! Agora ele está morto. Lula e Marco Aurélio Top Top Garcia, não tiveram sequer a consideração de deixar o seu cadáver esfriar e já saíram correndo para abraçar os seus assassinos.

22 fevereiro 2010

É Lula lá e Deus aqui

Deus passa o dia inteiro com a TV ligada. Ele só assiste à TV Brasil. Ninguém assiste aos programas do canal, segundo os dados do Ibope. Somente Ele. Deus é o único espectador da TV Brasil. Como é que eu sei disso? Lula contou. Está lá, nas tábuas da lei do lulismo, o Dicionário Lula, de Ali Kamel: "Deus me deu o segundo mandato para fazer a TV pública brasileira".

Lula, como Noé, respondendo ao chamado do Onipotente, fez o que lhe foi ordenado. Primeiro, ele construiu a grande arca da TV Brasil, revestindo-a de betume. Em seguida, embarcou nela um casal de cada espécie - um orangotango e uma orangotanga, um pato e uma pata, um Franklin Martins e uma Dilma Rousseff - e conduziu-os por quarenta dias e quarenta noites até os montes Ararat do éter, a fim de que eles se multiplicassem incestuosamente e povoassem a TV pública brasileira com seus descendentes.

Agora Deus tem outro plano. Ele decidiu destruir a TV a cabo. Ele disse a Marco Aurélio Garcia: "O fim de Law & Order é chegado perante mim". Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Dilma Rousseff, lhe obedeceu. Se Deus fizer com que Dilma Rousseff seja eleita, repetindo o que Ele já fez com Lula, "tudo o que há na TV a cabo expirará". Marco Aurélio Garcia é autor de alguns dos maiores mitos apócrifos do lulismo. O último deles foi comparar American Idol à Quarta Frota dos Estados Unidos. Como sabemos que Deus elege o presidente do Brasil de olho na TV, escolhendo candidatos que lhe garantam programas como ABZ do Ziraldo, Dilma Rousseff já está eleita. O Brasil seria poupado de um monte de aborrecimentos se, para trocar de canal, Deus simplesmente usasse o controle remoto.

O mesmo Deus que elege o presidente do Brasil pode matar o presidente dos Estados Unidos. De uns tempos para cá, alguns pastores americanos passaram a imprecar para que Deus mate Barack Obama. Eles entoam o Salmo 109: "Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício". Marco Aurélio Garcia entoa o Salmo 109 contra o doutor House e a Quarta Frota Naval dos Estados Unidos. A mandinga contra a "hegemonia cultural americana" pode parecer ridiculamente antediluviana, mas os orangotangos e os patos do petismo se sentem reconfortados por ela. Esses avatares de uma nova era nas telecomunicações, sonham com o dia em que "Two and a Half Men" será substituido por uma palestra da Teresa Cruvinel mostrando COMO fazer uma TV bater picos de audiência. Para Marco Aurélio Garcia e seus asséclas reunidos no congresso do PT, o paraíso terrestre está localizado na central nuclear iraniana de Natanz.

Lula, o maior dos governantes desde Tomé de Souza, quer ser como Noé, que viveu 950 anos. e sobreviver o lusco fusco da ação do tempo. Por isso, em 16 de maio, ele visitará o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e obterá seu apoio para a candidatura de Dilma Rousseff. O apoio de Deus? Esse ele jura com os dois pés juntos que já conseguiu.

Dilma, a brilhantíssima, e o desperdício.

Celso Arnaldo, no blog do Augusto Nunes


"Pra mim sê pré, agora não falta mais nada". (Ministra-chefe da Casa Civil e candidata do PT à presidencia, Dilma Rousseff)


Dei-me ao desfrute de assistir ao vivo ─ via TV PT, que só hoje descobri que existia ─ à sessão do Congresso do PT que consagrou Dilma como pré (até que enfim…) - candidata à sucessão do Lula.

Como sempre, fico na periferia da coisa ─ que, para mim, quase sempre representa o todo. Eu diria que um discurso de Dilma, por exemplo, é a sinédoque da História ─ mas estaria sendo pernóstico e provavelmente impreciso.

E, perifericamente, me permito algumas observações.

1) Em seu discurso de apresentação da companheira Dilma, que gravei, Lula estava mais à vontade do que pinto no lixo. Estando em casa, entre os seus, caprichou no português de porta de fábrica e comeu todas as concordâncias, além de disparar uma saraivada furiosa do seu obsessivo “ou seja” ─ no começo, no meio e no final dos raciocínios.

E, com essa linguagem mais desabrida do que nunca, deixou de lado qualquer traço de verniz de linha de montagem - como o que ele mostrou, por exemplo, na entrevista ao Estadão, onde posou de estadista tão interessado na verdade e na Justiça que prometeu tirar, depois de sair do governo, o primeiro diploma de sua vida: o de detetive particular para investigar o Mensalão.

Que nada: se alguém ainda tinha dúvida sobre o que Lula realmente acha do Mensalão, basta saber como ele definiu hoje a principal das qualidades de Dilma que o levaram a ungi-la como sua sucessora:

“A companheira Dilma, no auge da crise que nós vivemos em 2005, que na verdade foi uma crise que teve como tentativa dar um golpe no governo. Ou seja, essa companheira, em nenhum momento, deixou de demonstrar o compromisso, como diria o João Paulo, o compromisso de classe dela, o compromisso do lado que ela estava, que é a lealdade extraordinária em defender as coisas que o governo fazia”.

Compromisso de classe, João Paulo TVA, lealdade, o lado que ela estava, as coisas que o governo fazia. Nunca antes neste país um presidente cunhou (perdão, João Paulo, pelo trocadilho proposital) uma definição tão realista, tão crua e tão íntima de famiglia, camorra, máfia, república entre amigos.

Tão à vontade estava Lula na sagração da primavera de Dilma que, descrevendo o modo como ela entrou em sua vida, e na nossa, sem querer ele forneceu para a História uma versão mais despudorada de como foi montado o melhor governo da República:

“Eu me dei conta que o companheiro Zé Dirceu, que está aqui presente, tinha feito, viu Temer?, um acordo com o PMDB, naquele tempo uma parte do PMDB, e o Zé Dirceu tinha negociado o Ministério de Minas e Energia. O Zé me telefonou: olha presidente, nós acertamos aqui o Minas e Energia para o PMDB. Eu falei: negativo, Zé. Pode dizer para o PMDB que não tem Ministério, porque eu tenho a ministra de Minas e Energia. Essa pessoa já está escolhida por mim. E aí anunciei a companheira Dilma Rousseff como ministra de Minas e Energia”.

Boa, presidente: então o sr. preferiu pensar mais no Brasil do que no PMDB? Hummm… não foi bem assim:

“Obviamente que o PMDB soube esperar e depois ganhou o Ministério de Minas e Energia, com o companheiro Silas e agora com o companheiro Lobão”.

Lula prossegue em seu sermão da montanha para louvação de Dilma:
“No Ministério de Minas e Energia a Dilma montou um conjunto de pessoas…”

Quem seriam esses luminares, presidente? Cientistas da USP? O professor Cesar Lattes? Não exatamente. Diz Lula:

“Era ela, a Erenice e a Graça”.

Não me estenderei sobre esse “conjunto de pessoas”. Dilma, Erenice e Graça formam um Trio Ternura de quem eu não compraria um conjunto de panelas de ferro usadas.

2) Nunca assisti a um Congresso do PT, onde se vota de tudo. Não conheço, portanto, os métodos utilizados para referendar votações ou escolhas: cédulas, aclamação, assinaturas? Neste, estava em jogo um referendum magno: a indicação de uma candidata a presidente da República.

Sabe como se procedeu à chancela de Dilma? Levantamento de crachás… O presidente do partido, José Eduardo Dutra, até fez galhofa com o assunto. “Companheiros, vamos repetir a votação porque três companheiros esqueceram seus crachás”. Dois deles eram Lula e José Alencar.

E a pantomima foi novamente encenada. Que a História registre: a candidatura de Dilma Vana Rousseff à Presidência da República nasceu numa “crachanchada”.

3) Discurso de Dilma? A dama de vermelho começou a falar, muito nervosa, inicialmente dirigindo-se às autoridades, e achei que a coisa prometia quando ela se referiu a José “de” Alencar ─ demonstrando que, depois de sete anos de convivência com o vice, Dilma ainda precisa de aprender a tirar a preposição do meio do José Alencar.

Mas, quando começou a discurseira em si, decepção completa. Conheço o DNA de um texto pela primeira frase. Aquilo veio pronto, é discurso típico de redator de discurso ─ e sei disso porque já redigi muitos. A gente ainda tenta adaptar o fraseado ao estilo e à (in)cultura do orador ─ mas sempre escapa um joguinho de palavras, uma imagem mais requintada, com o qual seu superego quer demonstrar que sabe escrever melhor do que o sujeito merece.

Vários colaboradores argutos desta coluna também detectaram, sem maior dificuldade, o dedo, a mão completa de um ghost writer no discurso de Dilma. Franklin, professor Dulci? Não importa. É alguém que sabe citar Drummond e Quintana.

Dilma tropeçaria feio se, por sua conta, tentasse dizer: "No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho".

Apesar do gestual totalmente dissidente das palavras, não era Dilma que estava ali, lendo o teleprompter, mas já a candidata de encomenda, com sua camarilha de assessores e protetores.

Assim terminou o congresso de seis milhões e meio. Tanta gastança para o lançamento da candidatura de uma Dilma Rousseff. Desperdício é isso aí.

21 fevereiro 2010

Chegou a hora de dizer claramente: Basta! Começem uma corrente ou chegará a vez de vocês.

por Reinaldo Azevedo

Caras e caros, este post é muito importante. Ela trata de uma encruzilhada. Ou o Brasil segue o caminho do estado de direito ou o do arbítrio. Vamos entender como se fazem, hoje, no Brasil, salsichas, justiça e jornalismo. E peço aos bambas que passem este texto adiante. Chegou a hora de botar a boca no trombone. Chegou a hora de mobilizar a rede. Chegou a hora de dizer com clareza: "BASTA"!

Nos sites, está lá estampado: "Justiça Eleitoral cassa mandato de Kassab". Esse troço é um escândalo, sim, mas é um escândalo PROTAGONIZADO PELA JUSTIÇA ELEITORAL DE SÃO PAULO CONTRA KASSAB! O PREFEITO DE SÃO PAULO É VÍTIMA DE UMA ARBITRARIEDADE.

Quando dizem que o avanço das esquerdas e do "militantismo" no Brasil é irrelevante porque, afinal, na economia, tudo segue mais ou menos dentro dos padrões da economia de mercado, costumo reagir: "Não é assim! Tal avanço não é irrelevante! A democracia brasileira está sendo tutelada". Como é que se chegou a essa "cassação" em primeira instância, cabendo, obviamente, recurso?

Qual é o fato da hora? Recorro ao primeiro parágrafo de um texto do Estadão. Leiam com atenção:

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a vice, Alda Marco Antonio (PMDB), tiveram o mandato cassado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloísio Sérgio Resende Silveira, por recebimento de doações consideradas ilegais na campanha de 2008. A decisão, em primeira instância, torna Kassab o primeiro prefeito da capital cassado no exercício do mandato desde a redemocratização, em 1985. Como o recurso tem efeito suspensivo imediato, os dois podem recorrer da sentença sem ter de deixar os cargos.

Decisão surpreendente? Uma ova! Já estava tomada. No dia 3 deste mês, fiz um tira teima com uma reportagem da Folha que já tratava desse assunto. Ali, como se verá, a decisão do Juiz Aloisio Sérgio Resende Silveira é praticamente antecipada. Porque também vivemos hoje dias assim: DECISÕES DE JUÍZES COSTUMAM SAIR ANTES NA IMPRENSA. Vou reproduzir aquele meu tira teima porque ele explica o caso em detalhes. Leiam com atenção:

Um parecer técnico contábil da Justiça Eleitoral de São Paulo indica que 33% do total arrecadado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), na campanha eleitoral de 2008 teve origem em fontes de doações consideradas ilegais pelo Ministério Público Eleitoral. O laudo, concluído em outubro e obtido pela Folha, indica o risco de que Kassab seja condenado em primeira instância à perda do cargo. Em casos semelhantes, o juiz Aloísio Silveira, responsável pela ação, cassou o mandato de 16 vereadores da capital. Ele tem adotado como critério para condenar à perda de mandato contas de campanha que apresentem mais de 20% dos recursos provenientes de fontes vedadas. A execução de sentença contra os vereadores foi suspensa até que os recursos deles sejam julgados em 2ª instância pela Justiça Eleitoral de São Paulo.
Várias coisas:

1 – O "parecer técnico" não é exatamente da "Justiça Eleitoral", mas de UMA SÓ PESSOA;
2 – o laudo não pode indicar "o risco de Kassab ser cassado; ele pode, no máximo, apontar irregularidades; se for além disso, não é laudo técnico, mas proselitismo político;
3 – Se o juiz cassou 16 vereadores, então os vereadores foram cassados. É uma questão gramatical. Como estão na ativa, não foram cassados. NINGUÉM É CASSADO ENQUANTO HOUVER RECURSO DISPONÍVEL. Ou um único juiz seria o dono da democracia.
A cereja do bolo está longe ainda. Cuido, por enquanto, da inadequação da linguagem e de vieses sub-reptícios. Adiante.

Em maio do ano passado, o promotor eleitoral da capital Maurício Antonio Lopes apresentou à Justiça representações para promover a revisão e a rejeição das contas dos candidatos Kassab, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) e de vereadores eleitos. Pareceres semelhantes foram elaborados em setembro passado para as representações contra Marta e Alckmin. O laudo relativo à petista indica que ela teria recebido R$ 3,8 milhões de fontes apontadas como ilegais pela Promotoria. O levantamento sobre as contas de Alckmin aponta o recebimento de R$ 2,1 milhões de doadores impedidos pela legislação segundo os critérios da promotoria. Nos dois casos os valores não ultrapassam os 20% de doações de fontes vedadas, usados como critério de condenação pelo juiz Silveira.
Certo! Isso indicaria, então, que não há nada de, digamos, partidário na ação — já que todos foram, vá lá, investigados. Aqui há um erro ou de lógica ou de moral elementar: se todos são igualmente alvos de uma ação, então não há arbítrio. E EU VOU DEMONSTRAR QUE HÁ. Sigamos.

Na representação contra o prefeito, o promotor indicou três tipos de fontes de doação que seriam ilegais. A primeira é a AIB (Associação Imobiliária Brasileira), entidade que, segundo Lopes, funcionou como fachada do Secovi (sindicato do setor imobiliário) para fazer doações a políticos. Pela legislação, as entidades sindicais não podem fazer contribuições eleitorais. O Secovi nega qualquer vínculo com as doações.

As coisa começaram a se complicar. Tudo não passa de uma acusação de... Lopes! Reparem no "seriam ilegais":

O parecer da Justiça Eleitoral aponta que, segundo os critérios do Ministério Público paulista, a AIB doou ilegalmente R$ 2,7 milhões para Kassab. Para a Promotoria, também foram fontes ilegais de recursos construtoras que são acionistas de concessionárias de serviços públicos. A lei proíbe as concessionárias de realizarem contribuições para as campanhas. De acordo com o promotor, as empresas "não são diretamente concessionárias de serviços públicos, mas apenas integrantes, acionistas, investidoras, associadas em consórcio ou sob a forma de holding ou conglomerado econômico que, em derradeira análise, seriam os concessionários diretos". São apontadas na representação as empreiteiras Camargo Corrêa, OAS, Serveng Silvisan, CR Almeida, Carioca Christiani Nielsen, S.A. Paulista e Engeform. O levantamento da Justiça Eleitoral conclui que o total das doações dessas companhias foi de R$ 6,8 milhões.
Bem, se as empresas "não são diretamente concessionárias de serviços públicos", o resto não passa de ilação. Atenção: LOPES ESTÁ INVENTANDO UMA LEI. Será que Oi e a Brasil Telecom não poderão fazer doações legais, por exemplo, à candidatura de Dilma porque um de seus sócios é dono da Andrade Gutierrez, que toca um monte de obras públicas? Também não poderiam doar para Serra porque a empreiteira integra consórcios que tocam obras em São Paulo? Restaria colaborar com Marina Silva e com o candidato do PSOL…

Outro doador considerado ilegal pelo promotor foi o Banco Itaú S.A. De acordo com a representação, ele não poderia fazer contribuições ao então candidato Kassab porque a Prefeitura de São Paulo efetua pagamentos para parte dos funcionários pelo banco. Em 2008, a instituição financeira doou R$ 550 mil para a campanha do atual prefeito, segundo o laudo da Justiça. Aí já estamos no terreno do mais escancarado absurdo mesmo! Todas as administrações públicas do país "vendem" a folha de pagamentos para bancos.
AGORA VEM O MELHOR.

O critério adotado pelo juiz Aloísio Silveira para condenar os vereadores de São Paulo e que pode levar à cassação do prefeito Gilberto Kassab é subjetivo e não encontra precedentes na jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
ENTENDERAM? TEMOS UM JUIZ QUE ACHA QUE PODE CASSAR VEREADORES E, ESPECULA A FOLHA, ATÉ O PREFEITO COM BASE EM CRITÉRIOS SUBJETIVOS, "que não encontra precedentes na jurisprudência do TSE". É UM JEITO ENROLADO DE DIZER QUE O JUIZ ALOISIO SILVEIRA ESTÁ INVENTANDO UMA LEI QUE NÃO EXISTE. É O “DOIS EM UM”: LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO NUM HOMEM SÓ.

Em relação ao tema das construtoras acionistas de concessionárias, o magistrado baseou-se em um voto vencido do ministro Cezar Peluso no TSE para condenar um vereador que recebeu de uma empreiteira que integra uma empresa concessionária.
DE NOVO: BASEOU-SE EM UM VOTO VENCIDO, QUE FOI REJEITADO PELOS OUTROS JUÍZES. Viram? Jurisprudência, no Brasil, se faz com votos vencidos, não com votos vencedores. É UMA REVOLUÇÃO!!!

O juiz Silveira estabeleceu nos casos dos legisladores paulistanos que aqueles que tiveram mais de 20% de suas doações originadas em fontes ilegais devem perder o mandato. Nos casos que já passaram pelo TSE, não há indicação de valores ou percentuais para a definição das punições. Os julgamentos indicam que em cada situação os magistrados devem aferir se o montante de contribuições irregulares pode ter afetado potencialmente os resultados das eleições.
O texto não poderia ser mais claro. E se ele decidir, sei lá, 5% em vez de 20%? E se decidisse que poderia ser 40%? É o auge do arbítrio! O promotor determina quando as doações estão ou não dentro da lei. IGNORANDO A DECISÃO DO TSE. E o juiz arbitra a porcentagem. SEM LEI!

Nos processos de vereadores em que o percentual não foi ultrapassado e os legisladores foram absolvidos, o Ministério Público Eleitoral recorreu, alegando que o índice aceitável seria de até 5%.
Por que 5%? Porque eles querem.

Para o ex-presidente do TSE e advogado Carlos Velloso, o padrão fixado pelo juiz foi benevolente. De acordo com Velloso, "já que qualquer doação vedada, em qualquer percentual, impõe a penalidade, então a fixação em termos da potencialidade da doação vedada deve ficar em percentual bem menor que 20%". Sobre as doações de concessionárias, a maioria dos ministros do TSE julgou, no caso da prestação de contas do presidente Lula, em 2006, que as acionistas de concessionárias não estão impedidas de doar.
ATENÇÃO! OS CRITÉRIOS QUE FAZEM A FOLHA AFIRMAR QUE 33% DAS DOAÇÕES A KASSAB FORAM ILEGAIS FORAM REJEITADOS PELO TSE, QUE DECIDIU QUE ACIONISTAS DE CONCESSIONÁRIAS NÃO ESTÃO IMPEDIDAS DE DOAR.

Voltei

Se a decisão do tal juiz vier a prevalecer, está extinta a segurança jurídica no Brasil. Acabou!!! Se, na Justiça Eleitoral, um juiz pode, literalmente, INVENTAR CRITÉRIOS e “cassar” mandatos contra a decisão de um tribunal superior para caso idêntico, então a vaca realmente já foi para o brejo.

Parece-me evidente que a decisão será revista. Afinal, reparem:

1 – o juiz inventou um percentual que não pode ser ultrapassado;
2 – mesmo para atingir o percentual por ele inventado, o que justificaria a cassação, ele precisa recorrer a doações que SÃO CONSIDERADAS LEGAIS PELO TRIBUINAL SUPERIOR ELEITORAL, O QUE CARACTERIZA UMA DUPLA ARBITRARIEDADE.
3 – isso faz crer que essa sentença será mudada numa instância superior.

Isso é irrelevante?

É claro que não é! A decisão sai num momento em que a imprensa não se farta de falar de "mensalão do DEM" pra cá e pra lá, embora os mensaleiros tenham deixado o partido porque seriam expulsos. Do modo como as coisas são noticiadas, fica parecendo que o escândalo de Brasília se estende também a São Paulo. Enquanto isso, os mensaleiros do PT celebram a sua festa no Congresso do partido, e seu presidente enche a boca para afirmar que aquela penca de provas que há contra o partido não passa de… "golpismo". Na sua coluna de hoje, o CEEG (Centro Espírita Elio Gaspari) prevê o fim do DEM.

Assim se está construindo a "moderna democracia" brasileira. Diante de uma óbvia arbitrariedade cometida contra um prefeito que não foi "adotado" pelos "bem-pensantes", todos, imprensa inclusive, se calam! OU NÃO SE CALAM: PARTE DO JORNALISMO, COMO SE NOTA, ATUA COMO PORTA-VOZ DO ARBÍTRIO, ANTECIPANDO SUAS DECISÕES E LHE SERVINDO DE ASSESSORIA DE IMPRENSA.

Aí não adianta reclamar. Neste exato momento, o Estadão, por exemplo, ainda está sob censura. UMA CENSURA QUE NÃO DECORRE DA LEI — a Constituição é claríssima ao proibir a censura prévia —, MAS DO ARBÍTRIO DE JUÍZES que, a exemplo do dr. Aloisio Silveira, expedem sentenças segundo "critérios subjetivos".

Deixe o jornalismo que tal prática prospere sem protestos, e é óbvio que ele próprio será o alvo — aliás, o caso do Estadão demonstra que já começou a ser.

Certos cretinos no Brasil imaginam que a punição de "adversários ideológicos", reais ou imaginários, com ou sem motivos, exerce um papel saneador na sociedade. "Afinal, se são meus adversários, então boa coisa não são". Escapa-lhes a obviedade de que, aberta a porta do arbítrio e da subjetividade numa sentença judicial, ninguém mais estará seguro.

Se não tenho mais a lei a estabelecer parâmetros sobre o que pode e o que não pode, então já não sou mais um indivíduo, já não sou mais um ser autônomo: minha liberdade depende daquele que, ocupando uma função no estado, decide, segundo seu próprio arbítrio o que me é ou não permitido fazer. Assim é nas tiranias; assim é nos regimes totalitários.

OAB, cadê você?

Em tempos idos, diante de uma arbitrariedade como essa, a Ordem dos Advogados do Brasil reagiria de pronto. Agora não reage mais. O sucessor do dr. Cézar Britto (aquele medalhão da advocacia que se diz "socialista"), cujo nome ainda não tive motivos para decorar, dá pinta na televisão todos os dias, com seu ar severo e cabelinho esticado com algum sucedâneo da brilhantina. Quero saber o que vai por debaixo deles. Até agora, só o ouvi falar do exercício do direito segundo a "opinião pública", segundo "a vontade das ruas".

Se cabe ao direito cumprir a vontade do que dizem por aí, então se suspendam as leis e se façam tribunais públicos, com um linchamento no fim, para coroar o arbítrio popular com a catarse. À OAB, que eu saiba, cumpre zelar pela lei.

Quanto a Kassab, que estude com seus advogados uma forma de reparação pelo agravo de que está sendo vítima. Não é possível que autoridades do Ministério Público e do Judiciário desmoralizem uma figura pública, com base no puro arbítrio, sem que o alvo da ação possa reagir no terreno das leis e do direito. E, se isso é possível, então algo tem de ser feto no Legislativo.

Não dá mais, leitores! Eu estaria fazendo esta mesma defesa ainda que Kassab pertencesse ao PT. Há quem não acredite nisso? Dane-se! Mas tenho a impressão de que, pertencesse ele ao PT, teria, no mínimo, o benefício da lei. Como digo em Máximas de Um País Mínimo, as coisas no Brasil caminham assim:

"Aos amigos tudo, menos a lei; aos inimigos, nada, nem a lei".

Estadounidense? Que diabo é isso?

Um dos sintomas mais claros de antiamericanismo agudo é usar o termo estadunidenses para se referir aos americanos. A palavra existe e consta nos dicionários, mas é daquelas que ninguém usa. Ou melhor, ninguém usava, porque parece que a moda está pegando. Nesse modelo de isenção que é a wikipedia em português, o termo aparece 18 vezes no verbete Estados Unidos da América. Mas o que há de errado com ele? Ora, para deferedermos o uso, mas do que descabido, do termo estadounidense, precisamos ignorar a lógica e talvez até o bom-senso! Eu explico: o nome oficial do México, aquele país onde as pessoas ainda usam ponchos e sombreiros, é Estados Unidos Mexicanos. Portanto, há menos que estejamos dispostos a chamar os mexicanos de estadounidenses, tal como fazemos com os americanos, não faz sentido algum defender essa bobagem.

Além do mais, o uso da palavra estadounidense é sempre político, embora muitos não admitam. A explicação oficial é que americano é quem nasce nas Américas, portanto não seria uma designação suficiente. Norte-americano também não, já que o México e o Canadá também fazem parte da América do Norte. Daí a necessidade de criarmos uma palavra capaz de se referir especificamente aos americanos que nascem nos EUA. Parece lógico, mas não é! Esse imbróglio linguístico é lindo na teoria, mas inviável na prática. Para dar certo, teríamos que unificar de vez os gentílicos. Imaginem o caos que seria. Ao invés de ludovicenses, soteropolitanos e manauaras, teríamos sãoluisences, salvadorenses e manausenses.

Aproveitando o embalo, poderíamos também adotar riodejaneirense, paulistense, paulistanense, riograndedosulense, riograndedonortense, paraibense, pernambuquense, minasgeraisense, espiritosantense e por aí vai. Piauienses, cearenses, paraenses e paranaenses já estariam em conformidade, mas catarinenses talvez tivessem que mudar para santacatarinenses. Ainda a título de clareza, se essa estupidez colasse, não seríamos mais cariocas, e sim riodejaneirenses. Vai que os índios carijós se sentem órfãos do termo carioca que quer dizer "casa de carijó".

E pra que ficar restrito ao Brasil? Mudemos o nome da República da África do Sul (sugiro Mandelândia), afinal Namíbia, Botswana, Zimbabwe e Moçambique também são repúblicas e também ficam no sul da África. Percebem o tamanho da ignorância?

O fato é que já faz algum tempo que chamamos os americanos de americanos, um gentílico consagrado por Machado de Assis, que em seu famoso ensaio "Instinto de nacionalidade", chama Henry Wadsworth Longfellow, de "cantor admirável da terra americana". Não se trata de dizer que está certo porque Machado escreveu, mas de provar que esse uso está enraizado em nossa cultura.

Além do mais, o argumento que diz que todos devemos nos referir aos americanos como estadounidenses não possui sustentação lingüística alguma. Perguntem a um professor de português, qualquer um, se é estadounidense (sem hífen) ou estado-unidense (com hífen)? Dúvido que ele saiba a resposta, porque essa palavra é uma verdadeira aberração semântica. Enfim... É uma lógica que deixa de levar em conta um princípio básico das línguas: palavras podem ter mais de uma acepção. Americano é uma coisa sem, naturalmente, deixar de ser a outra.

Sempre existirão aqueles que, quase sempre por razões político-ideológicas, preferem o sabor vagamente espanholado do termo estadunidense (ou estado-unidense), mas daí a chamarem de vendido ou ignorante quem se atém à corrente principal da língua... Com isso eu não posso concordar!

Sugiro aos leitores darem uma fuçada na Internet e procurarem o artigo "Estadunidenses", de Demétrio Magnolli. Se não me falha a memória, esse artigo foi públicado num editorial do Estadão, em 2005.

18 fevereiro 2010

Um romance revisitado

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas a Machado de Assis por misturar o seu célebre Dom Casmurro com a paródia que se tornou a política do nosso país. Em nenhum outro lugar do globo, a obra de Machado poderia ser tão bem transportada para a realidade quanto aqui, no Brasil.

Dilma 'Capitu' Rousseff divide suas atenções, no Rio, entre Sérgio 'Bentinho' Cabral e Anthony 'Escobar' Garotinho. Em vias de celebrar um casamento político com Bentinho Cabral, Dilma promove encontros escusos com Escobar Garotinho.


Doente de ciúmes, Bentinho Cabral roga por exclusividade em pleno sambódramo e move mundos e fundos para enlamear a imagen de Escobar Garotinho. Na noite de domingo, Bentinho Cabral contou as reporteres que disse "tudo o que pensava" a Capitu Rousseff.

"Acho que quando você tem dois palanques de oposição pode dar problema. Quando são dois de situação é difirente. Aqui essa equação não fecha".

No meio de toda essa pantomima, Escobar Garotinho se imiscui com assanhada desenvoltura. Também pudera, o Escobar fluminense trocou um encimesmado PMDB pelo combativo PR e assumiu de vez que é adversário de Bentinho Cabral. Em Brasília, Escobar Garotinho é Lula desde molequinho. Por isso, arrasta a asa para Capitu Rousseff.


Da obra de Machado resultou uma polêmica: teria Capitu traído Bentinho com Escobar?


Do rififi eleitoral emerge um enigma análogo: estaria Dilma Capitu cometendo adultério político ao juntar-se a Bentinho Cabral e, simultaneamente, achegar-se a Escobar Garotinho? É evidente que o tônico servido a Dilma pelas pesquisas eleitorais mais recentes a tornaram dona de atrativos até então insuspeitados. É como se a candidata tivesse ganhado os mesmos olhos de ressaca da Capitu de Dom Casmurro.


Servindo-se de uma "retórica dos namorados", Machado encontrou uma "comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu". "Olhos de ressaca?", perguntou o escritor, na pele de Bentinho. "Vá, de ressaca", convenceu-se. Por que de ressaca? "É o que me dá idéia daquela feição nova..."

...Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.

Para Lula e o PT, o súbito poder de sedução dessa Dilma ascendente vai tragar, em várias praças, apoios em duplicidade. Para desassossego de Bentinho Cabral, não parece haver nos arredores de Dilma Capitu interesse em refugar o assédio dos múltiplos Escobares.

Lula rejeita o debate com FHC

Para compreender melhor esse (mini)artigo, sugiro que leia o texto "O eleitorado brasileiro merece ver um debate entre Lula e FHC", do colunista da Veja, Augusto Nunes.

O presidente Lula foi formalmente convidado, no dia 11, para um debate com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A resposta acaba de ser transmitida ao repórter Otávio Cabral, da sucursal de VEJA em Brasília, pelo ministro Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. É a seguinte:

“O presidente Lula, quando deixar a Presidência e se tornar um ex-presidente, aceitará debater com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Se Lula estivesse apenas presidindo o processo sucessório, como costumam fazer em países civilizados chefes de governo em fim de mandato, o convite nem teria existido. Se tivesse apenas optado por uma candidatura, sem se envolver ostensivamente na disputa, a recusa até seria aceitável. Como os fatos informam que o presidente se enfiou até o pescoço na campanha que antecipou ilegalmente, a rejeição do convite deixa de fazer sentido.

Sem que ninguém lhe pedisse, Lula decidiu que a candidata seria Dilma Rousseff, nomeou-se Primeiro Cabo Eleitoral, não desce do palanque há seis meses, ataca o antecessor em todos os comícios e repete diariamente que os brasileiros terão de escolher entre o governo FHC e o atual. Garante que recebeu uma “herança maldita”. FHC garante que a afirmação é falsa. Um debate entre ambos seria o caminho mais curto para chegar-se à verdade. Fernando Henrique topou. Lula só quer debater em 2011.

A opção pelo monólogo ─ recomendada, aliás, por 10 em 10 militantes governistas que se manifestaram nesta coluna ─ confirma a suspeita de que foi descoberta a kriptonita do SuperLula. Chama-se FHC. Que coisa, não?

15 fevereiro 2010

Lula e FHC: um caso de amor às avessas

Conforme escrevi aqui outro dia, no mundo globalizado as matérias públicadas nos jornais de ontem são noticias de ante-ontem. Ainda assim, resolvi comentar a declaração do presidente Lula de que as críticas que FHC tem feito a candidata petista, Dilma Rousseff, são "uma falta de respeito".

O presidente disse que Fernando Henrique criticou Dilma porque não a conhece e porque "está com medo de cair no esquecimento". Lula ainda ironizou, dizendo que o atual governador de São Paulo, José Serra, e o ex-governador Geraldo Alckmin, quando foram candidatos à Presidência da República, respectivamente em 2002 e 2006, não quiseram o apoio de Fernando Henrique em suas campanhas.

Lula acrescentou que Dilma "não vai responder" às críticas do ex-presidente., porque "ele está baixando muito o nível e o povo está cansado de campanhas de baixo nível, com agressão". Dias antes, FHC havia dito que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, age como um "boneco de ventríloquo" do presidente e só faz aquilo que ele ordena. Taí a comprovação!

É isso! Lula faz de tudo para ESCONDER a Dilma que existe de fato. O presidente, que está em camapanha há mais de 20 anos, sabe que a melhor maneira de evitar o desgaste da sua candidata é puxar para si o embate eleitoral. Agindo dessa forma, o presidente impede que o debate atinja a Dilma e faz com que o "outro" seja justamente FHC. Para Lula, o confronto não é entre os candidatos à presidência, mas sim entre dois períodos políticos: um deles iniciado há 15 anos e encerrado há mais de sete, e outro que ainda está aí, em curso. Se esse fosse mesmo o confronto, FHC estaria impedido estruturalmente de vencê-lo. Afinal, boa parte dos eleitores não tem nem idéia do que foi ou do que é o Plano Real.

FHC já é o presidente mais injustiçado da história do Brasil. A academia e o tempo, espero, hão de lhe fazer justiça. E que seja feita mesmo hoje em dia, por intermédio daqueles que o admiram e o tem na conta do presidente que retirou o Brasil de um atraso realmente histórico. FHC certamente cometeu erros, como todos nós, como todos os estadistas. Mas se não fosse o Plano Real e as reformas econômicas que recolocaram o país no mapa dos investimentos e o prepararam para a economia global, seríamos, como já escrevi, o mais ocidental dos países africanos.

Lula mente, descaradamente, quando diz que FHC anteviu um desastre do seu governo. Ao contrário: quando, em 2002, a especulação começou a correr solta porque os mercados acharam, afinal, que o PT era sério no seu delírio, o ainda presidente da República fez justamente o contrário, fez o que um petista não faria: afirmou que Lula governaria dentro das regras. A partir de 2003, as oposições, o PSDB muito especialmente, apoiaram reformas que o PT precisou fazer (as mesmas que antes combatera) em nome do bem do país, necessárias, estava claro, para que o novo governo conquistasse a confiança dos mercados.

A vitória de Antonio Palocci nos embates internos protagonizados pelo PT, colaborou para "blindar" o governo Lula. No Senado, por exemplo, tucanos conseguiam defender a política econômica com mais vigor do que os petistas — "porque é a nossa", diziam. Setores importantes da imprensa faziam mais ou menos a mesma coisa: "Olhem como o PT é responsável"! E assim a imprensa varreu para baixo do tapete as críticas que Lula fazia ao Plano Real e ao Proer uns dois ou três anos antes…

O PT aderiu às regras de mercado, mas não necessariamente à democracia. Continuava e continua autoritário. O trabalho de desconstrução da figura de FHC, iniciado de modo sistemático em 1994, teve continuidade. E passava a contar com o auxílio da máquina de propaganda oficial — a maior jamais mobilizada. Os esbirros do PT na imprensa colaboraram e colaboram ainda para essa desconstrução, não raro mentirosa e mistificadora.

Lula jamais aceitaria um debate direto com FHC hoje em dia. Mas, se aceitasse, venceria! Venceria o quê? Um confronto de idéias ou mesmo um confronto de realizações? Ora, claro que não!!! A questão pública, política, não está nos contendores, mas no que esperam os juízes. Vejam a linguagem de Lula; notem os aspectos de que ele se jacta; observem a sem-cerimônia com que assaca contra a biografia do antecessor, de quem ROUBOU O SOFTWARE para governar (a imagem do roubo do software é do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros).

Será que é possível explicar ao eleitorado contemporâneo os riscos que correu o país durante a implementação do Plano Real, a sua genial engenharia econômica e como os petistas, liderados por Lula, tentaram sabotá-lo de maneira sistemática, determinada, implacável? Será possível, vamos dizer, tornar quente todas as bobagens que Lula disse sobre o plano e todas as suas antevisões trágicas para o Brasil?

Erram muito os historiadores que pretendem julgar o passado segundo a leitura política que se tem do presente; do mesmo modo, não se deve reduzir a política a uma espécie de tribunal da história. A desconstrução canalha a que o PT submeteu o governo FHC encontrará, cedo ou tarde, a sua devida descrição, com a conseqüente reparação da verdade. No presente e com vistas ao futuro, na arena política, o nome do PT para disputar a Presidência da República é DILMA ROUSSEFF. Tão logo as oposições tenham o seu candidato, o confronto se dará, então, entre ambos.

A exposição excessiva de FHC permite essa reação mesquinha de Lula, que joga as divergências no terreno de uma suposta inveja. Já escrevi aqui uma vez: o petista não se curou do trauma de ter perdido duas eleições para o tucano, ambas no primeiro turno — Lula teve de disputar o segundo em 2002 e em 2006. Ele precisa desesperadamente ganhar uma eleição de FHC, ainda que disputando por intermédio de Dilma. Para tanto, tem de esconder a candidata e saltar ele próprio para o centro da cena.

Arruda rima com... Papuda!

Finalmente o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi preso e enviado para o presídio da Papuda, em Brazília. Infelizmente, o imbróglio que começou com aquelas imagens toscas em que os deputados colocavam dinheiro na cueca, na meia e sabe Deus onde mais, está longe de terminar.

Para os leitores de memória curta, Arruda é aquele senhor que participou ativamente da violação do painel do senado há alguns anos atrás. Na ocasião, Arruda teve que renunciar ao mandato de senador para não ser cassado. Lembro-me que num discurso contundente, ele negou qualquer envolvimento com o caso, insinuou que havia uma conspiração, apelou aos mais nobres sentimentos da República… Alguém que ignorasse os bastidores diria: "Ele etá dizendo a verdade"! Afinal, Arruda, não é nenhum Paulo Maluf! Quando já não conseguia mais negar a violação, fez um discurso candente, chorou, pediu perdão, humilhou-se. Mas a sorte lhe sorriu com uma segunda vida, guindando-o ao primeiro plano da política nacional como governador do Distrito Federal.

Infelizmente, para todos os cidadãos brasileiros, não se pode mudar a natureza torpe dos seres humanos. O homem é, como Hobbes costumava dizer, o lobo do próprio homem e Arruda não é a exceção. Assim que voltou à vida pública, Arruda se meteu em um novo e lamentável episódio: foi filmado distribuindo propinas a pela menos uma dúzia de políticos em troca de apoio. As imagens eram estarrecedoras! Diante de uma audiência perplexa, deputados e vereadores se alternavam no ato de enfiar dinheiro nos lugares mais obscenos possíveis. Um achou por bem meter a bufunfa dentro da meia enquanto uma outra era vista colocando tudo no bojo do seu sutien. Diante dessas imagens, uma multidão correu para às ruas gritando "Fora Arruda"! Chegaram até a jogar esterco na frente da Câmara Distrital, onde a CPI que apurava [sic] os atos de corrupção do governador se reunia.

Rapidamente, os protestos contra o governador José Roberto Arruda ganharam o Brasil. Da noite para o dia, uma multidão de brasileiros resolveu externar a sua indignação com o episódio. Quando vi o pessoal da UNE e demais movimentos estudantis de bandeira em punho, gritando contra o escandalo que assolou o Distrito Federal, pensei: "tem gato nessa tuba"! E tinha mesmo. Uma série de partidos e agremiações de esquerda havia se mobilizado para transformar o ArrudaGate, numa espécie de incenssário da política nacional. Há quem diga que a prisão de José Roberto Arruda
"marca o começo do fim da impunidade no Brasil". Vamos ver. Há dois dias, todos os mensaleiros do PT voltaram à direção do partido. Tive a impressão de que era uma vitória da impunidade. Ou será que só se avança nesse terreno quando os não-petistas é que são punidos?

Quero Arruda
preso tanto quanto a maioria dos brasileiros, mas não caio naquela esparrela de que a sua prisão éo começo de uma era dourada da nossa política. O povo que hoje se regozija com a prisão de Arruda, é o mesmo que escolheu acobertar o mensalão do PT. Nenhum dos movimentos que hoje pedem a cassação do governador do Distrito Federal se mobilizou em prol da cassação de homens como Dirceu e Genoino. Pelo contrário! Essas pessoas foram às ruas para defender os companheiros e endossaram a tese absurda do presidente Lula que Marcos Valério era uma espécie de agente a serviço do PSDB; plantado em seu governo para desestabilizar a base aliada.

Eu não preciso recorrer a teorias tão estapafúrdias e faço questão que Arruda seja punido dentro das regras do estado de direito, do devido processo legal. Não vou cometer o papelão de dizer que foi tudo uma trama engendrara pelo PT! Toda aquele gente meteu a mão na grana porque quis, porque achou saíria impune, a exemplo dos homens de Lula no mensalão petista. Delúbio Soares e os mensaleiros do PT tinham Marilena Chaui, Wanderley Guilherme dos Santos e toda uma corja acadêmica acusando o que seria uma tentativa de "golpe de estado". Arruda não tem ninguém, porque o DEM o expulsou e estabeleceu uma punição para todo aquele que ousar ajudá-lo. Em outras palavras: o partido decidiu deixar que o governador se dane sozinho!

Ser "de direita" é isso! Na prática, ser de direita é obedecer apenas ao próprio juízo e não não se ver obrigado a defender o crime porque é útil a uma causa. Ser de direita é repudiar, enojado, o uso de inocentes úteis para fazer fazer "a luta avançar".

Eis aí uma grande diferença. Arruda, aquele pilantra que achou que podia se apropriar do dinheiro público e usá-lo para fins privados, NÃO É UM DOS NOSSOS. Já Delúbio Soares, José Genoino e José Dirceu são homens DELES. Quando Pinochet morreu, nenhum de nós se sentiu obrigado a pranteá-lo. Quando Fidel morrer, eles haverão de chorar no túmulo do seu tirano de estimação. NÓS DEVEMOS E PODEMOS CONVIVER SEM O CRIME. Mas infelizmente, no caso deles, o crime É PARTE DE UMA TEORIA DO PODER.

Gostaria de desejar um bom final de Carnaval a todos e deixar os meus votos mais que sinceros de que Arruda fique na Papuda pelo maior tempo possível; mas não sozinho, porque deve ser deprimente... Desejo ardentemente que José Dirceu, Delúbio e sua turma, vão fazer companhia a ele no menor tempo possível e que levem consigo um dominó, para não ficarem entediados durante a sua permanencia.

10 fevereiro 2010

Zé Alencar e a "doença ruim"

Hoje, o candidato do Planalto ao governo de Minas é José Alencar, vice-presidente. Mais do que o acerto político, a linguagem que acompanha a decisão já está consolidada. E até o jornalismo escolhe um caminho, vamos dizer assim, decoroso. Câncer, em muitos casos, ainda é "aquela doença". Ou, como se dizia no interior, "doença ruim". Quanto mais se pronuncia o seu nome, mas permanece aquela bruma de decoro. No Estadão, por exemplo, lê-se o que segue — cito só um exemplo, que já se espalha:

Ele lembrou ontem, em Belo Horizonte, depois de um encontro com o governador Aécio Neves (PSDB), que só tomará uma decisão na segunda quinzena de março, depois que fizer exames para saber se está curado do câncer no abdome. "Antes disso não tomo decisão nenhuma", declarou. O vice-presidente ainda fez questão de dizer que sua preferência é por um cargo legislativo.

Se Alencar dependesse do parecer dos médicos, desistiria desde já. Eles não dirão que seu câncer está curado de jeito nenhum. Se disserem, ou um milagre terá acontecido ou estarão mentindo para atender à agenda política. O sarcoma que ele tem é incurável segundo o que há na literatura médica. Mesmo nos casos em que a cura é possível, antes de um determinado número de anos, varia de acordo com o tipo da moléstia, não se fala em "cura". Nem Dilma pode-se dizer "curada". No máximo, ela pode se declarar sem a doença agora.

Deixo claro — e acredite quem quiser — que torço pela recuperação de ambos. Há uma dimensão puramente humana nessa história. Conheço o horror de uma gente bucéfala que se organiza para torcer contra a saúde alheia e que não reconhece limites na divergência política e ideológica. Desejar a morte daquele de quem se discorda não deixa de ser um ato de terrorismo moral ao menos.

Lembro-me de um célebre ensaio da escritora americana Susan Sontag: "A doença como metáfora". No entender de Susan, as pessoas utilizam doenças como cancer e tuberculoso como metáforas para superar problemas que poderiam ser sobrepujados com um mínimo de boa vontade. Embora o ensaio seja um tanto simplista, não deixa de ser interessante. Infelizmente vivemos em um tempo em que a doença não é mais tratada como metáfora e sim como solução. A de Dilma serviu para consolidar a imagem da batalhadora, daquele que enfrenta qualquer dificuldade. Façam uma retrospectiva pelos noticiários e vocês verão que foi ali, no diagnóstico do cancer, que ela se firmou. Com Alencar, a coisa está indo pelo mesmo caminho. Sua doença está servindo para impor um redutor a todas as disputas no campo governista mineiro. Nem PT nem PMDB se oporão a Alencar. No máximo, haverá disputa, entre os petistas, para o lugar de vice. Afinal, chega a ser um pecado falar em não votar num homem com cancer.

E o lugar de vice, nessas circunstâncias — tanto as de Alencar como as de Dilma — tem um peso que jamais teve no Brasil, incluindo o caso de Tancredo Neves. Ninguém sabia do seu real estado de saúde. Agora, sabe-se bem mais. Mas uma nuvem de decoro impede o noticiário político de fazer não exatamente especulações, mas deduções lógicas. Nos EUA, os três tratamentos contra melanoma de John McCain podem lhe ter tirado alguns milhões de votos. No Brasil, o senso comum diz que a doença pode render alguns milhões para os pacientes adoentados.

A eventual candidatura de Alencar — se estiver em condições de disputar, não "se estiver curado" — tem desdobramentos importantes na política mineira e também na sucessão. Podemos dizer, que a essa altura do campeonato, a candidatura de Alencar ao governo de Minas é o evento mais importante da pré-campanha.

O eleitorado brasileiro merece ver um debate entre Lula e FHC

por Augusto Nunes

Nos comícios agora diários, além de aprenderem que demissão por abandono de emprego não vale para presidente da República, os brasileiros ficam sabendo que o Dia da Criação só deu as caras por aqui bilhões de anos mais tarde. Mais precisamente em 1º de janeiro de 2003, quando o maior governante desde o tempo das cavernas começou a cumprir a missão que a Divina Providência lhe confiou: construir um país.

Antes de Fernando Henrique Cardoso, recita o pregador, o que havia era pouco. Depois, restou o nada. Foi Lula quem fez o Brasil. Teria feito em sete dias se não existissem o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o IBAMA. Só por isso a mais grandiosa das obras do PAC demorou sete anos. O atraso foi compensado pelo resultado.

O Brasil do Terceiro Milênio é uma beleza, deslumbram-se os ministros de Estado e a base alugada. Até frequenta o Clube das Potências como sócio-convidado, celebram os Altos Companheiros. E o que está bom demais vai ficar ainda melhor no governo de Dilma Rousseff, berra o resto do rebanho. Com a vitória da Mãe do PAC, berra o palanqueiro compulsivo, o milagre brasileiro vai deixar boquiabertos até chineses e americanos. Sem Dilma na gerência, o país irá submergir no buraco negro de onde Lula o tirou.

Neste domingo, com 968 palavras, Fernando Henrique enterrou no jazigo das malandragens eleitoreiras a fantasia costurada durante sete anos. O artigo ensina que o Brasil existia antes de Lula e existirá depois dele, seja quem for o sucessor. Incisivo, contundente e veraz, o texto exibe o legado de um estadista onde Lula finge enxergar a herança maldita.

“Gostaria que a eleição fosse no estilo nós contra eles, pão-pão-queijo-queijo”, repete o presidente desde outubro. Quem o conhece sabe que “nós” quer dizer Lula e que “eles” é o codinome de FHC no código do Planalto. No último parágrafo do artigo, Fernando Henrique primeiro reitera uma lição elementar (”Eleições não se ganham com o retrovisor: o eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças” para em seguida apanhar a luva atirada pelo sucessor: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.

Não é difícil descobrir quem tem razão, avisou Sebastião Silveira num comentário aqui publicado. Basta promover um debate público entre os dois. Encampada pela coluna e por VEJA.com, que cuidarão de convidar os contendores, a ideia não tem contra-indicações ─ e os possíveis efeitos colaterais são todos positivos. Um foi presidente, outro logo deixará o cargo. Nenhum deles é candidato. O embate ajudará o eleitorado a escolher com mais segurança o próximo chefe de governo.

O fecho do artigo informa que FHC está pronto para o duelo. Lula vive dizendo que sonha com o debate que não pôde travar em 1994 e 1998. Duas vezes derrotado por FHC, o atual presidente não deve perder a chance de provar que o desfecho de um terceiro confronto seria diferente.

O Brasil merece conhecer a verdade. E precisa saber quem está mentindo.

09 fevereiro 2010

Chávez e a crise

Depois de implementar um plano de racionamento de energia em janeiro, o presidente Hugo Chávez decretou estado de emergência elétrica na Venezuela nesta segunda-feira e detalhou nesta terça-feira um plano que prevê desde sanções a quem exceder o consumo até descontos na tarifa para quem economizar. Pelo decreto, os venezuelanos com consumo acima de 500 quilowatts-hora por mês - cerca de 24% dos consumidores residenciais - devem reduzir o consumo em 10%. Caso não atinjam a meta, o preço da conta vai ficar 75% mais caro. Aqueles que ultrapassarem o consumo em 20%, o aumento na tarifa será de 200%.

Infelizmente, essa não foi a única medida tomada por Hugo Chávez para combater a crise no setor energético que vem assolando a Venezuela. Diante do caos generalizado e das pressões vindas de todos os lados para que renuncie, Chávez cedeu mais uma vez às ordens vindas desde Havana e apresentou, ante as câmeras de televisão, um militar cubano chamado Ramiro Valdés.

"Está conosco à frente dessa comissão um dos heróis da revolução cubana, o comandante Ramiro Valdés".
Ora, mas "quem" é Ramiro Valdés e quais as suas funções em Cuba? Antes de falar no maldito personagem, lembro que em Cuba os problemas de água e energia são constantes e quase tão velhos quanto a revolução. Então, com que autoridade ou competência um governo manda um emissário para resolver problemas em outro, quando o seu próprio país sofre com uma calamidade semelhante?

Bem, para começar, "Ramirito", como é conhecido em Cuba, não entende NADA de energia; vejamos um pouco de sua folha corrida:

Militar e político, um dos participantes da revolução cubana, nasceu em Artemisa, cidade de Havana, em 28 de abril de 1932. Desde 1976 ostenta o grau de "militar honorífico" e Comandante da Revolução. Desde 1959 ocupou vários cargos de relevância especial na ditadura de Fidel Castro. Foi designado como chefe militar na região central e posteriormente segundo chefe da Fortaleza de La Cabaña, até a fundação dos órgãos da Segurança do Estado dos quais foi seu chefe.

Desde a criação do Ministério do Interior, em 1961, ocupou os seguintes cargos: 1961-1968, Ministro do Interior; 1968-1972, Vice-Ministro das Forças Armadas; 1972-1976, Vice-Primeiro Ministro para o setor da construção; 1976-1994, Vice-Presidente do Conselho de Ministros; 1976-1986, Vice-Presidente do Conselho de Estado; 1979-1985, novamente ministro do Interior.

A partir de 1985 sua responsabilidade política minguou, embora seguisse ocupando o cargo de Vice-Presidente até 1994. Em 1996, foi designado presidente do grupo empresarial Copextel, encarregado do desenvolvimento de importações eletrônicas e informáticas e das Comunicações. Com a ascensão de Raúl Castro ao poder, foi novamente designado no ano de 2009, a Vice-Presidente do Conselho de Ministro e meses depois a Vice-Presidente do Conselho de Estado.

Como se pôde constatar, este criminoso nunca exerceu qualquer função relacionada com a energia mas sim à repressão, aos fuzilamentos em La Cabaña, e à subversão no hemisfério, onde, segundo Pedro Corzo:

"É importante destacar que o atual Vice-Presidente do Conselho de Ministros e Vice-Presidente do Conselho de Estado em Cuba, foi o braço executor da subversão castrista no hemisfério. As incursões dos sicários da revolução cubana na Venezuela, Bolívia, Colômbia e o resto dos países do continente contaram com a assessoria de Valdés".
Em outro trecho, Pedro Corzo afirma que:

"Ramiro Valdés assumiu a direção do Departamento de Investigações do Exército Rebelde (DIER), uma força policial que se especializou em reprimir brutalmente as organizações clandestinas e guerrilheiras que confrontaram o novo regime, desde o próprio ano de 1959. O "Departamento", como ficou conhecido, foi uma espécie de embrião do que seria o Departamento de Segurança do Estado, um organismo que levou à prisão mais de meio milhão de homens e mulheres, e executou cerca de seis mil pessoas. Com exceção de Valeriano Weyler, nenhum outro indivíduo na história de Cuba foi responsável direto por tantos atos de maldade e crimes como "Ramirito".

Estas informações fazem parte do livro "Cuba: Perfiles do Poder". Neste livro Pedro apresenta o histórico dos cinco principais líderes da revolução que são, respectivamente, Fidel Castro Ruz, Raúl Castro Ruz, Ramiro Valdés Menéndez, Camilo Cienfuegos e Ernesto Guevara de la Serna. O capítulo dedicado a Valdés encontra-se entre as páginas 64 e 83, mas o site "Gentiuno" da Venezuela, publicou fragmentos desse livro sobre o nefasto personagem que pode ser lido aqui.

Está claro que o objetivo desta intromissão não é encontrar a solução para os problemas energéticos. Este repressor assassino de milhares de vidas inocentes foi enviado para orientar como reprimir com "mais eficiência" aqueles que se oponham à ditadura chavista, além de controlar com mão de ferro todos os meios de comunicação como, emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, sites de inernet, redes de relacionamento como Twitter, FaceBook além de, como já ocorre em Cuba, os correios eletrônicos.

Os cubanos exilados nos Estados Unidos desde ontem estão alertando os venezuelanos, de dentro e fora da Venezuela, para ficarem em estado de alerta máximo. As organizações de venezuelanos no exterior estão convocando para manifestações em frente às embaixadas e consulados latino-americanos nos Estados Unidos, com o objetivo de entregar um comunicado solicitando aos Governos da região que apliquem a Carta Interamericana Democrática da Venezuela. Entretanto, os governos alinhados com o regime bolivariano de Hugo Chávez continuam a manter uma atitude submissa e cúmplice, diante dos desvairios do ditador venezuelano.

O site venezuelano Analítica.com escreveu a respeito desta "visita":

"Já não somos Venezuela, senão Cubazuela; já se sabe que quem controla a saúde, as Forças Armadas, os cartórios de registro (de identificação) e as notarias, são funcionários cubanos.
E neste artigo, a jornalista Angelica Morabeals diz que a "assessoria" de Valdés vai custar à Venezuela US$ 2,4 blihões adicionais a Cuba. Ela ainda afirma que o ministro da Energia, Alí Rodríguez Araque trabalhará "muito estreitamente com Valdés". Ora, para quem não sabe, Araque foi treinado em guerrilha em Cuba e saiu de lá como "comandante", do mesmo modo que o "Comandante Daniel", aquele brasileiro-cubano que nós conhecemos bem, daí que dá para se ter uma idéia do que realmente este assassino foi fazer na Venezuela...

E para concluir, apresento dois vídeos: o primeiro mostrando como é a violência policial em Cuba, num programa apresentado pela jornalista cubana exilada em Miami, María Elvira, chamado "María Elvira Live", com a participação do ex-oficial da contra-inteligência cubana, Delfin Fernández, "agente Oto", e o ex-major da Inteligência cubana, Roberto Hernández Llano. E o outro mostrando os estudantes venezuelanos lutando contra a ditadura do século XXI. Assistam e comparem os dois vídeos; observem que a forma de repressão de um país e outro já são quase idênticas.




As máscaras sempre caem

Em uma matéria públicada no jornal O Globo, o jornalista Bernardo Mello Franco disseca a fala do assessor especial do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia. O discurso proferido por Marco Aurélio Garcia na sede nacional do PT é mais um preâmbulo do governo Dilma Rousseff que, diga-se de passagem, vem sendo coordenado pelo próprio. Eu tomei a liberdade de "recortar" alguns trechos da fala do assessor do presidente e fazer um clipping para os leitores:

Escalado para coordenar o programa de governo da ministra Dilma Rousseff, o professor Marco Aurélio Garcia anda preocupado com a influência da TV a cabo sobre os corações e mentes dos brasileiros. No sábado, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais discursou sobre o tema em debate na sede nacional do PT. Em meio a discussões sobre política externa, ele surpreendeu com um libelo contra o que chamou de "hegemonia cultural dos Estados Unidos".

Marco Aurélio comparou a influência da indústria de entretenimento ao poderio bélico da 4 Frota, a divisão da Marinha americana que atua no Atlântico Sul:

— Hoje em dia, quase tão importante quanto a 4 Frota são os canais de televisão a cabo que nós recebemos aqui. Eles realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente. Despejam toda essa quantidade de esterco cultural — esbravejou.

Em tom de alerta, o assessor de Lula disse que a esquerda precisa reagir à difusão de valores capitalistas:

— Estamos vivendo um momento grave do ponto de vista de uma cultura de esquerda. A crise dos valores do chamado socialismo real e a emergência desse lixo cultural nos últimos anos nos deixaram numa situação grave.

O petista também reclamou de um suposto marasmo intelectual no Brasil, comparando os dias atuais a momentos de efervescência cultural das décadas de 1930 e 1950:

— Hoje vivemos uma transformação do ponto de vista econômico-social muito mais importante do que no passado. No entanto, temos um deserto de ideias, um deserto de produção cultural. Isso é um problema no qual temos que pensar.

* * *

Caso vocês não se lembrem quem é Marco Aurélio "Top Top" Garcia, esse altruísta eternamente preocupado com os corações e mentes dos brasileiros, deem uma olhada nesse vídeo:



Mas, que vídeo é esse? Em 19 de julho de 2007, numa sala do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia assistia ao Jornal Nacional em companhia de um assessor sem saber que uma câmera de TV vigiava suas reações. Lá pelas oito, o apresentador informou que a tragédia com o avião da TAM em Congonhas, ocorrida dias antes, fora provavelmente provocado por falhas mecânicas, não pelo péssimo estado da pista.

Quer dizer que o governo não tem culpa? Animou-se o conselheiro presidencial para assuntos cucarachas. Feliz, esqueceu os mortos, a compostura, a sensatez e a compaixão. Só pensou na imprensa golpista, que incluíra, entre as causas possíveis, a comprovada incompetência do governo para lidar com a aviação civil em geral e, em particular, com os aeroportos. Reparem no gesto assombroso do assessor do presidente Lula que é secundado pela movimentação repulsiva do seu aspone. Esse vídeo é a prova cabal de que Marco Aurélio arcia é um humanista incorrigivel. Um tipo raro, daqueles que conseguem unir "direitos humanos" e "controle social da informação", numa mesma frase.

Muitos dirão que eu estou supervalorizando a fala de Marco Aurélio "Top Top" Garcia, afinal, ele é apenas um assessor. Eu não vejo assim! O assessor especial da presidencia é também o homem responsável pela coordenação da campanha da candidata petista Dilma Rousseff e seu discurso caminha de mãos dadas com o do ditador Venezuelano, Hugo Chávez. Ideias como as de Marco Aurélio "Top Top" Garcia, fizeram eclodir uma onda de protestos estudantis na Venezuela que já deixaram 16 mortos e mais de 70 feridos. Assim como aqui, lá também há um altruísta incorrígel interessado em salvar os corações e mentes das pessoas da influencia maléfica da TV à cabo.

Quando Hugo Chávez, a reencarnação degenerada de Simón Bolívar, resolveu fechar todas as emissoras de rádio e televisão que não lhe prestavam vassalagem, o clube dos cafajestes latino-americanos decidiu fazer de conta que se tratava de uma questão doméstica. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que "não devemos nos imiscuir nos assuntos de outras nações" e Lula, quebrou o seu silêncio malandro para reiterar que "há democracia até demais na Venezuela". Marco Aurélio "Top Top" Garcia, manteve o parecer emitido em agosto: "Se a liberdade de expressão na Venezuela acabou, foi depois que eu sai. O que ouvi em programas de TV sendo dito sobre o Chávez não está no gibi".

Infelizmente a cretinice não parou por aí! Aparentemente o neurônio solitário de Dilma Rousseff também tem algo a dizer sobre o venezuelano: "Não cabe a mim criticar ou não. Se ele faz isso, é em função da problemática dele". Faz sentido: a companheirada está fazendo o que pode para camuflar o entusiasmo e esconder as suas reais intenções de implantar no Brasil, o regime bolivariano que Hugo Chávez implantou na Venezuela.

Felizmente, a máscara caiu! Está claro que para os stalinistas farofeiros, o furacão autoritário na Venezuela tem a suavidade da brisa. Não é censura, sussurram uns aos outros: aquilo é o "controle social" dos meios de comunicação, enfim obrigados ao pronto atendimento dos interesses do povo. A Venezuela bolivariana de hoje, sonham, é o Brasil amanhã. Mas não precisa ser assim! Basta que a oposição assuma o seu papel. O Brasil que presta deve aceitar o repto de Lula e topar o confronto plebiscitário. Assim, os eleitores serão convidados a escolher entre a Venezuela e o primeiro mundo, a caverna e a civilização, o primitivismo e a modernidade, a ditadura e a democracia; entre a opressão e a liberdade.

08 fevereiro 2010

Clipping

Trecho da reportagem de Raquel Landim, publicada ontem no Estadão.

Poder Executivo deve ultrapassar 100 mil novos cargos no governo Lula

Quando chegar ao fim de seu segundo mandato, em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá contratado cerca de 100 mil pessoas apenas para o Poder Executivo. É um exército de auditores, pesquisadores, analistas, advogados, professores, entre outros profissionais, que começaram a trabalhar nos diversos órgãos do governo nos últimos oito anos.

Para ter uma ideia da dimensão desse contingente, corresponde a mais de duas vezes o quadro de 45 mil funcionários da mineradora Vale, segunda maior empresa brasileira. Também é praticamente igual aos 110 mil empregos gerados por todas as montadoras de carros instaladas no Brasil.

Dados do Ministério do Planejamento mostram que, entre dezembro de 2002 e outubro de 2009, aumentou em 63.270 o número de servidores públicos civis, para 549 mil. O valor exclui aqueles que substituíram funcionários aposentados. O Orçamento autoriza a criação de mais 46.151 vagas este ano, mas o governo não costuma utilizar tudo que está previsto. Como 2010 é ano eleitoral, os concursos só ocorrem até junho.

A matéria, na ítegra, pode ser lida aqui.

Sim, vocês entenderam bem! O governo contratou aproximadamente 100 mil pessoas apenas para o executivo. Se somarmos as contratações feitas pelo judiciário e legislativo esse número deve aumentar, e muito!

Bolsa Família: um produto velho com uma embalagem nova

Recentemente o governo federal aterrorizou as famílias que recebem o Bolsa Família com a ameaça de que se os tucanos forem eleitos, muitos poderão perder o benefício. Em um texto divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, o governo alerta para o risco de ocorrerem mudanças no Bolsa Família em janeiro de 2011, data em que o novo governo tomará posse. Com isso, os petistas tentam demover os beneficiários do programa de votarem no candidato do PSDB. E olha que não é pouca gente! Já são mais de dez milhões de brasileiros beneficiados pelo programa.

Ameaçar essas pessoas com a possibilidade de perderem os seus beneficios com uma suposta vitória dos tucanos é simplesmente rídiculo, pois todos sabemos que o Bolsa Família é o resultado da integração de uma série de programas sociais criados por FHC: Fome Zero, Bolsa Escola, Auxílio Gás e Cartão Alimentação. A ameaça do governo federal se torna ainda mais grave quando percebemos a sua dimensão. Desde a posse de Lula, o crescimento no Nordeste foi maior do que em qualquer outra região do Brasil. Por quê? Porque o Bolsa Família monetizou a economia nordestina, fazendo com que passasse a haver negócios onde antes não havia nada. O programa ainda estimulou o crescimento de um capitalismo básico no qual milhões de recebedores têm liberdade para gastar o dinheiro como bem entenderem, desde que mantenham os filhos na escola, é claro. Cada um utilizar o dinheiro com total liberdade, como bem lhe aprouver, afeta positivamente todas as etapas do ciclo econômico capitalista e beneficia tanto os mais pobres quanto os mais ricos.

É bom lembrar que a linhagem do Bolsa Família é mais liberal do que intervencionista. A ideia nasceu na Inglaterra, pelas mãos de Juliet Rhys-Williams, política liberal inglesa, e foi retomada na década de 1960 por Milton Friedman, papa da escola liberal de Chicago. Apesar de ter sido gestada pelos liberais, não há consenso em relação aos beneficios de tais programas. É sabido que a esmola estatal cria dependência e aumenta a informalidade. Mais: os riscos de corrupção e desvios de verbas são enormes, sem falar do próprio custo do aparato burocrático. De cada real retirado dos pagadores de impostos, uma boa parte fica no caminho, para bancar os burocratas "altruístas". Para ilustrar o meu raciocinio, gostaria que vocês refletissem sobre a charge abaixo:

Compreendem o absurdo que é o programa Bolsa Família? Essa história de "solidariedade compulsória" não faz o menor sentido! Somente quando há um ato voluntário de caridade podemos falar em moralidade, pois não há nada de nobre em ajudar um pobre sob a mira de uma arma. Mas os socialistas não confiam na caridade espontânea dos indivíduos e acreditam que nenhuma melhora pode ocorrer fora do estado. No entanto, antes do crescimento assustador do welfare state, era exatamente isso o que acontecia: a iniciativa privada, através das igrejas, de associações e de empresários filantrópicos, fornecia ajuda aos mais necessitados.

No século XIX, a agência privada Charity Organisation Society oferecia de forma voluntária ajuda aos mais necessitados. Entretanto, havia uma grande preocupação em manter uma ajuda realmente temporária, pois poucos podem contar com fundos "infinitos" como o governo. Portanto, a agência tinha que ser eficiente na ajuda. Para isso, os sacerdotes evitavam aqueles pobres que não mereciam ajuda, pois não apresentavam nenhuma vontade de sair da condição em que estavam. A sociedade, de um modo geral, acreditava que dar ajuda sem investigar os problemas por trás da pobreza criava uma classe de cidadãos eternamente dependentes dos outros.

A Igreja Mórmon é outro exemplo de solidariedade voluntária, pois opera um plano privado de ajuda a seus membros. Para os mórmons, o trabalho produtivo é uma meta constante o que torna a posição do dependente extremamente desconfortável. Seria impensável imaginar os membros da Charity Organisation Society e da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comemorando o aumento de necessitados na lista de ajuda. Já o governo, comemora cada nova inclusão no seu aparato de proteção estatal. Assim, os políticos inescrupulosos que usam o suor e o dinheiro alheios para fazer caridade, podem sorrir para as câmeras e dizer em alto e bom som quanta gente pobre seu governo está ajudando.

Com um pensamento como esse, o conceito de que o trabalho produtivo garante a dignidade do ser humano está ficando ultrapassado. Em vez de enxergar a caridade como aquilo que ela é (uma ajuda), as pessoas têm visto o auxílio do governo como um "direito", ignorando que tal "direito" exige como contrapartida, o dever de outro trabalhar para pagar a conta. Falar em "direito" ou em "justiça", em um cenário como esse é o mesmo que monopolizar a luta contra a miséria e usá-la segundo os seus próprios critérios para obter vantagens políticas. Bastiat costumava dizer que o governo "é a grande ficção através da qual todos se esforçam para viver as custas de todos". Ele estava certo, exceto por um detalhe: isso não é ficção! O governo vem se esforçando cada vez mais para que num futuro próximo, todos nós sejamos depentes. Ao mesmo tempo que os políticos prometem aos pobres que vão tirar dos ricos para distribuir em nome de uma tal "justiça social", garantem aos ricos que irão protegê-los dos pobres. Com esse discurso falacioso, os altruístas de Brasília vão enganando todo mundo e concentrando poder e dinheiro como se fossem verdadeiros pretores romanos.

06 fevereiro 2010

Deputado do PSDB-SP desmente Dilma

O Blog do Noblat publicou uma nota do deputado Antonio Carlos Mendes Thama, deputado federal, presidente do diretório estadual do PSDB-SP e ex-secretário de Saneamento, Recursos Hídricos e Obras do Estado de São Paulo, desmentindo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Vale a pena ler:

"A ministra Dilma Rousseff afirmou hoje que o Governo Lula destinou suplementação de R$ 1,1 bilhão, em junho de 2009, para obras de combate às enchentes em São Paulo. Tal afirmação não corresponde à verdade.

Os créditos extraordinários liberados na ocasião, por meio da Medida Provisória 463/2009 (posteriormente convertida na Lei 11.981/09), o foram para o pais todo. E além da sua execução ter ficado muito abaixo do previsto, parcelas ínfimas deste recurso foram destinadas ao Estado de São Paulo: apenas R$ 32 milhões.

Para se ter uma idéia, o Governo Federal gastou, em 2009, apenas 21% da dotação orçamentária do Programa de Prevenção a Desastres: de uma dotação original de R$ 646,6 milhões, foram gastos só R$ 135 milhões no total, em todo o Brasil. Em 2008, a execução havia sido ainda pior: 18% - de R$ 616,5 milhões, apenas R$ 112,6 milhões foram gastos naquele ano.

Dos recursos gastos pela União em 2009 na prevenção de enchentes, muito pouco teve como destino o Estado de São Paulo: apenas R$ 4,9 milhões, ou menos de 4% do total. Em comparação, o Estado da Bahia recebeu R$ 65,3 milhões, e Mato Grosso R$ 25,9 milhões.

Em relação aos recursos para do Programa de Resposta aos Desastres e Reconstrução, a mesma situação se verifica: de uma dotação de R$ 1,9 bilhão para todo o país, foram gastos R$ 1,2 bilhões, mas apenas R$ 27 milhões dos quais destinados a São Paulo: 2,1% do total.

Tais números contrastam com os grandes investimentos do Governo do Estado de São Paulo na prevenção e combate à enchentes no período.

Em 2009, R$ 157,61 milhões foram liquidados nesta rubrica – todos recursos do Estado, com a única exceção de R$ 2,4 milhões transferidos pelo Governo Federal, destinados à limpeza do Rio Paraíba.

Em 2010, o Governo Serra investirá ainda mais: R$ 305 milhões, sem contar R$ 120 milhões destinados ao Parque Várzeas do Tietê e R$ 195 milhões do programa Córrego Limpo.

Ressalte-se que nenhum dos 45 piscinões da Região Metropolitana de São Paulo foram feitos com recursos do orçamento federal: sua construção contou com recursos das prefeituras da região (19 piscinões) e do Governo paulista (26).

No governo Serra, foram concluídos seis piscinões (R$ 79,6 milhões), havendo quatro em obras (R$ 48,3 milhões) e um em licitação (R$ 80 milhões).

Portanto, o Governo Serra investe, sem nenhuma ajuda do governo federal, R$ 207,9 milhões em piscinões. Sem dúvida, qualquer recurso adicional nesse sentido será bem-vindo.

Ao todo, entre 2007 e 2010, o Governo do Estado está investindo R$ 1,037 bilhão em infraestrutura hídrica e combate às enchentes. São ações como limpeza dos córregos, obras de canalização, construção e limpeza de piscinões e a construção de parques lineares.

Outros R$ 2,691 bilhões estão sendo investidos em obras de urbanização e atendimento a famílias em áreas de risco nesse período.

05 fevereiro 2010

Não à Carta de Hamburg

Nos anos eleitorais o número de assuntos relacionados a vida pública e a política do país, crescem assustadoramente. Obras que estava estagnadas há varios meses são inauguradas, denuncias são protocoladas e temas que permaneceram no ostracismo por todo o mandato presidencial voltam à baila. Para tratar de todos esses assuntos, o blogueiro precisa ser uma espécie de superman do jornalismo político. Como eu não sou nenhum super-herói, decidi mandar a Carta de Hamburg às favas para melhor atender aos meus leitores.

Para quem não sabe, a Carta de Hamburgo é um documento que defende os direitos de propriedade intelectual na Internet. Alguns blogueiros famosos, como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, já aderiram a ela. Com a adesão os blogueiros ficam proibidos de fazer aquele famoso clipping com textos de grandes agências e conglomerados jornalísticos. Para muitas pessoas, isso soa como um verdadeiro absurdo, mas nem todo mundo é adepto do laissez faire. Ainda existem aqueles que defendem os direitos de propriedade intelectual na Internet.

De certa forma, eles estão certos. Afinal, os leitores de blogs vem em busca de uma visão diferente daquela que é fornecida pela mídia convencional. A maioria dos escritores que aderiu a Carta de Hamburg, foi contemplada com uma frequência maior de leitores e comentários. Suponho que isso aconteceu porque
a opinião pessoal do blogueiro, a sua interpretação, a realidade filtrada pelo seu olhar, é a razão de ser de um blog. Como costumo dizer, a principal tarefa de uma página pessoal não é dar um furo jornalístico, mas um furo de enfoque.

Para lhes ser franco eu também gostaria de agir assim, mas não podemos ignorar que esta cada vez mais difícil para o blogueiro amador se manter atualizado. A velocidade com que as informações são transmitidas tornaram o trabalho de acompanhar as notícias algo quase impossível. Há pouquíssimo tempo atrás, bastava ir à banca e comprar um ou mais jornais para se manter informado. Hoje, você precisa ler o jornal, acessar a Internet, verificar o Twitter, a caixa de emails, o Orkut, o MySpace e mais uma pá de coisas que ajudaram e continuam ajudando no processo de democratização da informação.

Do final do último século para cá, quase todas as coisas relacionadas a mídia antiga despareceram. Pergunte a um estudante do ensino médio se ele sabe quem foi Gutemberg? Pergunte se ele sabe o que são copyrights? É provavel que ele não faça a mais vaga ideia do que você está falando. Em contrapartida, ele está afinado com nomes como Napster, Peer to Peer, Tivo, YouTube, Podcast e Torrent. Num mundo tão compartimentado e abragente, o autor ou comentárista que não recorrer ao auxílio de outras fontes de informação, acabará defasado.

Para se ter uma ideia do quão rápido caminha a revolução digital, há alguns anos o Wall Street Jornal se tornou um jornal on-line. O Google lançou o Google News e todos os dias, mais e mais pessoas leem Ohmynews. Num mundo em que o Flicr se tornou o maior repositório de fotos da história e o YouTube de filmes, chega a ser surreal falar em propriedade intelctual na Internet. Vá lá... Viver em detrimento da sua própria capacidade intelectual, não repercutindo análises e notícias de outros comentáristas, é muito nobre, mas também é praticamente impossível.

Percebam a extensão desse processo: em 2007 a revista Life (que péssimo exemplo) fechou e virou Life.com. Pouco tempo depois, o The New York Times vendeu a sua rede de TV e declarou que "o futuro é digital". A BBC está indo pelo mesmo caminho e é provavel que daqui há alguns anos, não tenhamos mais o canal de informações mais importante do serviço de TV por assinatura. Para evitar que os leitores desse blog se percam em meio a essa torrente de informações que faz com que os artigos impresos nos jornais de ontem se convertam em notícias de ante-ontem, resolvi aderir aos clippings. Não estou nem aí se alguns dos meus colegas blogueiros vão dizer que isso é péssimo e que retira a autenticidade de um blog, para mim - e imagino que para vocês também - a única coisa que interessa são os fatos e se for preciso abdicar da tal da autenticidade para me manter atento a eles, que seja.

A propósito: eu continuarei públicando releases e fazendo o jabá de outros autores. Só que aviso que
é jabá e release, não é mesmo? Picaretagem é publicar "denúncia" forjada por petista como se fosse fruto do "jornalismo investigativo"… Quantos são os que publicam "releases" de "companheiros" sem avisar o leitor?